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Docente do Departamento de Matemática está entre os pesquisadores mais influentes da América Latina

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Em entrevista para a Ascom-CP, Elisangela Lizzi falou sobre a experiência
publicado: 23/11/2021 20h37 última modificação: 23/11/2021 20h37

A Doutora Elisangela Lizzi, Professora do Departamento Acadêmico de Matemática e dos cursos de graduação da UTFPR-CP tem alcançado resultados expressivos com suas pesquisas e publicações. Ela é uma das pesquisadoras da UTFPR e do Campus Cornélio Procópio listadas no Latin America top 10.000 scientists: AD Scientific Index 2021.

 Elisangela Lizzi é Bacharel em Estatística pela Universidade Federal de São Carlos-UFSCar, com mestrado e doutorado em Saúde Pública pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo-USP. Ela possui experiência em Estatística, com ênfase em Estatística Aplicada e Bioestatística, nas áreas de concentração de Modelos de Regressão, Séries Temporais, Métodos Quantitativos em Saúde, Modelos Estatísticos em Epidemiologia e Saúde Pública, Modelagem de Padrões Espaço Temporais, Big Data em Saúde Pública, Classificação Automática, Estatística Espacial e Mapeamento Bayesiano de Doenças.

 “Basicamente, eu trabalho com métodos aplicados, que por sinal são muitos”, se diverte. “Gosto de dizer que meu forte são desenhos de estudos atrelados aos objetivos de pesquisa. Meu papel é propor o melhor método analítico que deve ser utilizado para alcançar as melhores respostas para uma pesquisa científica, no meu caso, em estatística”, acrescenta.

 A Professora Elisangela trabalhou no mercado financeiro e na área de telecomunicações, mas, foi na pesquisa clínica que encontrou o caminho para a pós-graduação e a ciência. “As experiências em diferentes áreas constituem um diferencial importante e me permitiram compreender diferentes cenários, desde bolsa de valores até as políticas públicas de saúde”, destaca.

 A ASCOM-CP entrou em contato com a Professora Elisangela Lizzi para que ela nos contasse um pouco mais sobre suas experiências e expectativas, não somente em relação ao Ranking da América Latina, mas, principalmente sobre a ciência e a participação da mulher na pesquisa científica.

 

ASCOM-CP: Como você recebeu a notícia de que seu nome e suas pesquisas estão listados Latin America top 10.000 scientists: AD Scientific Index 2021?

 Elisangela: Na verdade eu não estava esperando, pois dentro da carreira acadêmica ainda sou considerada uma jovem pesquisadora. Faz somente 6 anos que conclui o doutorado e esse tipo ranqueamento geralmente privilegia pesquisadores com mais tempo de atuação dentro do sistema. Mas, foi uma surpresa agradável, o reconhecimento do esforço pessoal, por que pesquisa é esforço, ainda que, sem estar vinculada em um programa de pós graduação, além do esforço para manter e participar das redes de pesquisadores que podem trabalhar e publicar com você.

 

ASCOM-CP: Que aspectos você considera importantes no Ranking?

 Elisangela: o ranking mapeia o quantitativo de citações das publicações dos pesquisadores da América Latina, ou seja, se você publica e não é citado, suas pesquisas não estão sendo “vistas” por outros pesquisadores. Nesse caso, quer dizer que minhas pesquisas estão sendo vistas e citadas por outros pesquisadores dentro da área acadêmica e cientifica em que atuo. E isso é muito bom.

 Uma curiosidade: meus primeiros artigos foram publicados em 2011, quando ainda estava no mestrado. Em 2021, essas publicações somam mais de 140 citações. Ou seja, dez anos depois, os trabalhos e os resultados das pesquisas continuam em evidência, estão sendo usados por pesquisadores de diversas áreas e revisados sistematicamente (padrão ouro de síntese de evidência), entre outras situações.

 Perceba que o ranking faz esse levantamento e mostra os pesquisadores com alto número de citações. Então, não basta publicar é preciso ser citado, o artigo precisa ser “visto” por outros pesquisadores e os trabalhos revisados etc. É isto que chamamos pesquisa de alto impacto. Para um pesquisador é uma realização importante.

 

ASCOM-CP: Você chegou a desenvolver alguma pesquisa ou métodos aplicados sobre a Pandemia de Covid-19?

 Elisangela: Sim, a pandemia foi importante do ponto de vista científico uma vez que colocou em evidência métodos estatísticos comuns na área científica, embora pouco divulgados na sociedade, como, por exemplo, os gráficos de médias móveis e os mapeamentos quantitativos de casos, o que os telejornais passaram a divulgar diariamente. Com isso, foi interessante visualizar a importância dos métodos aplicados e a divulgação para a sociedade.

 Nesse processo, desenvolvi o Projeto de Pesquisa de “Inquérito Sorológico de base populacional sobre COVID-19 no Norte Pioneiro do Paraná”, com o objetivo de identificar o percentual da população adulta da região que apresenta anticorpos contra COVID-19 e conhecer a adesão dos participantes quanto as medidas de prevenção. A pesquisa foi desenvolvida em conjunto com vários órgãos, tais como, a Universidade Estadual do Norte do Paraná-UENP, as Regionais de Saúde de Cornélio Procópio e Jacarezinho, as Secretarias Municipais de Saúde da região e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná-UTFPR com apoio da Fiocruz/ Bio-Manguinhos e do Ministério da Saúde. Neste projeto eu era a estatística responsável pelo processamento das informações coletadas e pelo gerenciamento dos métodos aplicados.

 Outro projeto importante no âmbito da Pandemia é o “Estudo pós COVID-19 em pacientes recuperados”, cujos objetivos são, verificar o efeito do tratamento de moderada intensidade associado à hipóxia normobárica sobre a função pulmonar, parâmetros hematológicos, imunológicos, autonômicos e relacionados à aptidão física em pessoas convalescentes da Covid-19 (AEROBI – COVID) e entender a evolução dos recuperados da covid-19.

 Finalmente, o “Estudo sobre classificação e análise de pacientes com COVID-19 usando aprendizado de máquina”, contemplando aplicação de métodos de aprendizado de máquina para classificar e analisar a evolução de pacientes com COVID-19 como alta ou óbito e descrever o perfil dos pacientes infectados pelo coronavírus. Este projeto foi desenvolvido em parceria com a Professora Doutora Glaucia Bressan, também do Departamento de Matemática da UTFPR-CP.

 

ASCOM-CP: Como a UTFPR e o Campus Cornélio Procópio contribuem para suas pesquisas e atividades? 

 Elisangela: O fato de estar como docente na UTFPR, abre caminhos para participar de editais como pesquisadora. Mesmo não atuando em programas de pós-graduação, consigo estabelecer parcerias com pesquisadores de grandes instituições nacionais e internacionais em projetos multidisciplinares importantes. Além disso, o campus Cornélio Procópio disponibiliza a infraestrutura de laboratórios equipados com computadores de alto desempenho, apoio institucional e financeiro para publicação de artigos em revistas especializadas e indexadas, participação em congressos, bolsas de pesquisa para estudantes, extensão e outras ações alicerçadas no tripé: ensino, pesquisa e extensão.

 É importante reiterar o compromisso das pesquisas científicas e da universidade pública com a solução de problemas sociais, sobretudo na área na área de saúde. As universidades não pararam de desenvolver pesquisa e trazer soluções sobre a Covid-19 durante a pandemia. O esforço mundial no desenvolvimento da vacina conjuntamente com instituições de ensino superior e os grandes laboratórios é prova disso.

 Esse apoio é fundamental, pois, sem esses recursos qualquer trabalho de pesquisa de alto impacto e a formalização de parcerias estratégicas nas mais diferentes áreas de pesquisa e desenvolvimento ficam inviáveis.

 

ASCOM-CP: Você poderia falar um pouco sobre "as Mulheres na Ciência" e a participação das mulheres na pesquisa científica no Brasil, considerando suas experiências e perspectivas?

Elisangela: “Mulheres e Ciência” são temas extremamente relevantes. As mulheres ainda são minoria em alguns campus de pesquisa como as ciências exatas, porém, lideram em outros campus ligados as ciências humanas e a saúde. Na UTFPR ainda somos minoria.

 A carreira acadêmica não é amigável com as mulheres. Manter os índices de produção, gerenciar todos os compromissos, tais como, filhos, família, trabalho e pesquisa (Sim, eu sou mulher, mãe, esposa, filha, acadêmica, pesquisadora e ainda tento ser fitness, são múltiplos papéis para exercer diariamente). Quando desenvolvemos pesquisas científicas precisamos estar sempre estudando, atualizando nossos referenciais teóricos e metodológicos, ler o que os outros pesquisadores estão publicando, interagindo com eles, participando de congressos, grupos de pesquisa e atividades que geralmente ultrapassam as 44 horas semanais.

 No Brasil temos ganhado espaço de forma tímida, e, vejam, depois de muitos anos lutando foi possível incluir, por exemplo, a licença maternidade no currículo lattes (plataforma de currículos de pesquisadores brasileiros). Acredito que ainda é necessário humanizar o processo, e sempre que possível garantir a diversidade. Existem vários grupos de pesquisa compostos majoritariamente de homens e isso não significa que as mulheres são menos capacitadas, mas sim, são impedidas de participar em função da estrutura subjacente da sociedade patriarcal. O tempo todo a mulher precisa provar seu “valor” e mostrar que você é mulher e capaz de, academicamente falando, estar naquele lugar que não foi feito para receber mulheres.

 Mas, eu acredito que as perspectivas são boas e as mudanças estão ocorrendo. Quando você alcança um espaço, abre espaços para outras que virão. É sobre isso, abrir e ocupar espaços e trazer outras com você que estamos falando quando o assunto são as Mulheres na Ciência.

 É por esses e outros motivos que eu estou muito feliz e comemorando o fato do meu nome e dos meus trabalhos terem sido listados no Latin America top 10.000 scientists: AD Scientific Index 2021.