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Consumidores deixariam aplicativos que não garantem condições de trabalho

Fairwork Brasil

Equipe da Fairwork Brasil com participação da professora da UTFPR divulga novo levantamento em que 7 em cada 10 pessoas deixariam de usar aplicativos
publicado: 02/05/2022 13h23 última modificação: 02/05/2022 13h42

A Equipe do Fairwork Brasil com participação da professora do Departamento Acadêmico de Linguagem e Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade (PPGTE) do Campus Curitiba, Claudia Nociolini Rebechi, divulgou uma nova pesquisa no último dia 1º de maio. Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Locomotiva a pedido do projeto Fairwork, coordenado pela Universidade de Oxford, revelou que 7 em cada 10 consumidores da cidade de São Paulo deixariam de usar aplicativos que não garantem condições de trabalho decentes e remuneração para os trabalhadores.  

 Além disso, 93% das pessoas afirmam que as plataformas deveriam oferecer condições mais justas aos trabalhadores e 64% considera que eles não recebem um salário justo. Entre os entrevistados, 84%, considera injustos os bloqueios e cancelamentos sem justificativa contra os trabalhadores, 82% consideram justas as greves de trabalhadores e 87% acham que os aplicativos devem ser regulados pelo governo para fornecer proteções básicas para entregadores e motoristas.

Segundo a pesquisa, os principais aplicativos (Uber, iFood, 99, Rappi, UberEats e GetNinjas) não conseguiram evidenciar o cumprimento de padrões mínimos de trabalho decente, como oferecer um salário justo ou proteções contra bloqueios. 

Para o professor do Oxford Internet Institute e diretor do projeto Fairwork, Mark Graham, esse seria um risco para as próprias empresas. "Plataformas que ignoram o fato de que os consumidores se preocupam com as condições de trabalho não só colocam seus trabalhadores em risco, mas também a sua estratégia empresarial”.

O coordenador do Fairwork Brasil, Rafael Grohman, acrescenta que isso pode servir de alerta para que as empresas realizem ações de melhoria. "Os resultados mostram que os cidadãos paulistanos estão muito conscientes das condições de exploração a qual os trabalhadores por plataformas estão sujeitos. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que a grande maioria dos cidadãos apoia iniciativas para que plataformas mais justas funcionem”, completa.

A pesquisa foi feita através de questionário com 1.021 moradores do município de São Paulo com 18 anos ou mais e realizada entre os dias 31 de março e 11 de abril.

A professora da UTFPR, Claudia Nociolini Rebechi, é uma das pesquisadoras da equipe brasileira do projeto, desde 2020. Além de Claudia e Rafael Grohmann (Unisinos), a equipe conta com os professores Julice Salvagni (UFRGS), Roseli Figaro (USP) e Rodrigo Carelli (UFRJ).

Fairwork

Fairwork é um projeto de pesquisa criado em 2018, sediado no Oxford Internet Institute e no WZB Berlin Social Science Centre, presente em mais de 25 países de cinco continentes. O objetivo é ajudar trabalhadores, sindicatos, consumidores, gestores de plataformas e formuladores de políticas a tornar as plataformas responsáveis pelas suas práticas, indicando áreas de melhoria para que sejam alcançadas condições dignas de trabalho.

O Projeto Fairwork considera que é possível e necessário haver a garantia de um padrão básico de trabalho decente na economia de plataforma, levando em conta parâmetros estabelecidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como: remuneração justa, contratos justos, representação justa, condições justas e gestão justa.

No relatório publicado no primeiro trimestre deste ano, nenhuma plataforma brasileira obteve mais de 2 pontos (máximo de 10), nas avaliações que consideraram os parâmetros da OIT. iFood e 99 obtiveram apenas 2 pontos cada, enquanto a Uber recebeu 1 ponto. Rappi, Get Ninjas e Uber Eats ficaram com zero na classificação.