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Siass aborda aspectos psicológicos no tratamento do câncer de mama

Outubro Rosa

publicado: 29/10/2020 15h57 última modificação: 29/10/2020 15h57
Foto: Freepik

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diagnóstico do câncer de mama pode gerar manifestações físicas e emocionais, mesmo com todos os avanços da medicina. Por isso, as psicólogas do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor (Siass) da UTFPR, dos câmpus Dois Vizinhos e Pato Branco, Danieli Ghedin e Gisele Voss, abordam sobre o papel do acompanhamento psicológico, após a confirmação da doença.

Ghedin detalha que o tratamento envolve medos e perdas, por vezes inesperados, diante dos desgastes, da rejeição e das mudanças na rotina e no corpo. Para ela, são vários fatores que influenciam no psicológico, desde o estágio de identificação da doença até aspectos sociais, históricos e pessoais. "Também há angústias ligadas à feminilidade, maternidade e sexualidade, já que o seio é um órgão repleto de simbolismo para a mulher. É um abalo significativo, que pode ocasionar outros estados patológicos, como ansiedade, depressão e estresse", adiciona.

Voss explana que, por ser uma questão muito particular, é preciso respeitar a reação e a situação de cada pessoa. Por isso, Ghedin recomenda que a paciente tenha a possibilidade de se expressar e vivenciar os momentos intensos. "Não podemos esperar que, depois do diagnóstico do câncer, a paciente mantenha o equilíbrio emocional. Afinal, é como se pedíssemos para que ela negue ou guarde seus sentimentos. Isso pode acarretar outros problemas psicológicos e psicossomáticos", conta.

Para lidar com tantas variáveis, há profissionais da saúde que atuam na área da psico-oncologia. “Esses especialistas se fazem ainda mais importantes nas situações em que a perspectiva de cura é menos viável. Assim, as necessidades da paciente, frequentemente desconsideradas ou pouco identificadas, são atendidas de modo a preservar a qualidade de vida”, esclarece Ghedin. Voss complementa “A diferença oferecida pelo atendimento profissional está na condição para orientar e acolher, promovendo um ambiente seguro para a expressão da paciente, sem ter as limitações da relação com parentes e amigos, que já têm envolvimento emocional", ressalta.

Inclusive, os familiares também podem sentir impactos psicológicos e buscar apoio para lidar com esses novos sentimentos. "É necessário encontrar caminhos para dar o suporte emocional, tão importante nesse período. O conhecimento e a superação de mitos e estigmas são essenciais para que todos compreendam as fases e se preparem para atravessar o percurso juntos, da melhor maneira possível", orienta Voss.

Além disso, a psicóloga indica que pode ser saudável a procura por atendimentos individuais de psicoterapia e por grupos, redes e organizações não governamentais de apoio. "Nesses espaços, há a divulgação de informações e a oportunidade de conhecer outras pessoas que passaram pelo diagnóstico, tratamento e pelas diferentes perdas e reconstruções. É importante manter a relacionamentos, visitar lugares e fazer atividades que tragam prazer e vivências positivas", diz Voss. A única ressalva que faz é em relação ao cuidado com o excesso de dados que estejam sem referências ou com abordagens negativas.

Segundo Ghedin, estudos apontam que, em alguns casos, existe a possibilidade de se vivenciar tudo como uma experiência de renovação. "Pode implicar em ganhos expressivos, tais como um estilo de vida mais saudável, o fortalecimento de relações interpessoais, e mesmo a adesão ou a intensificação de práticas espirituais ou religiosas, capazes de favorecer o enfrentamento de adversidades", descreve. Ainda, Voss lembra que após um tratamento bem sucedido, as pessoas parecem ter um novo sentido e seguir diferentes rumos, incluindo o engajamento em atividades ligadas à prevenção e ao apoio.