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Pesquisadores da UTFPR, Campus Pato Branco, encontram substâncias em Planta Alimentícia Não Convencional (PANC), com resultados positivos no combate a células tumorais
publicado: 10/09/2021 11h40 última modificação: 10/09/2021 15h04
Cará-moela (Dioscorea bulbifera L.)

Cará-moela (Dioscorea bulbifera L.)

Os relatos populares em relação às atividades biológicas exercidas pelas espécies vegetais incentivam investigações por cientistas e contribuem para melhor caracterização dos recursos medicinais disponíveis.

No caso da planta cará-moela, estudos revelam que as substâncias encontradas são responsáveis por seu amplo potencial terapêutico, destacando-se a atividade antimicrobiana, analgésica, anti-inflamatória, anti-hiperglicêmica, anti-hiperlipidêmica, anticancerígena e antioxidante.

Apesar de existirem diversas pesquisas com plantas com potencial antitumoral, existem poucos relatos na literatura científica apresentando frações do extrato bruto ou isolamento e identificação das substâncias responsáveis por essa ação.

De acordo com o professor do departamento acadêmico de Química da UTFPR, doutor Edimir Andrade Pereira, “para realizar o estudo fitoquímico e avaliar a atividade antitumoral e citotóxica do extrato bruto, bem como de frações desse extrato do tubérculo cará-moela (Dioscorea bulbifera), muitos profissionais de diversas especialidades (agrônomos, biólogos, químicos, farmacêuticos e geneticistas) e Instituições de Ensino Superior, atuaram na presente pesquisa que apresenta resultados promissores”, informou.

Assim, os pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Pato Branco (UTFPR-PB), doutor Edimir Andrade Pereira e a doutora Sirlei Dias Teixeira, orientadores das discentes do mestrado, do programa de pós-graduação em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos (PPGTP), Aline Savi (2018), Jéssica Stadniki (2019) e Beatriz Godoy Martins Moreira (2021), trabalhando em parceria com os professores do departamento acadêmico de Ciências Agrárias (DAGRO), da UTFPR-PB, doutora Giovana Faneco Pereira e doutor Thiago de Oliveira Vargas,  e  doutor. Rodrigo Hinojosa Valdez, do Instituto Federal do Paraná (IFPR – Cascavel), doutor Celso Vataru Nakamura e a mestra Karina Miyuki Retamiro, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), doutora Vidiany Aparecida Queiroz Santos, do Centro Universitário de Pato Branco (UNIDEP), doutor Gilberto Carlos Franchi Junior, da Universidade de Campinas (UNICAMP), doutora Maria Sol Brasseco e doutora Lydia Fumiko Yamaguchi, da Universidade de São Paulo (USP), foi possível chegar a resultados de interesse não só acadêmicos, mas que poderão beneficiar a sociedade como um todo.

Uma vez que moléculas provenientes de produtos naturais são eficazes no combate ao câncer e podem gerar efeitos colaterais de menor impacto aos pacientes em tratamento, o presente estudo foi desenvolvido “in vitro” (fora do organismo vivo), usando células tumorais isoladas. Os resultados demonstraram que tanto o extrato bruto e as frações obtidas demonstraram relevante ação antitumoral contra as células leucêmicas e baixa toxicidade frente às células renais, ou seja, demonstram sua eficácia no controle da proliferação de tumores, ao mesmo tempo que apresentam menor toxicidade a células sadias do organismo humano, condição desejada para futura aplicação como medicamento. Também foi confirmada atividade antioxidante expressiva.

A líder do grupo de pesquisa, professora Sirlei, revela que  “pretende dar sequência aos experimentos, com o objetivo de avaliar diferentes linhagens de tumores humanos, bem como isolar, identificar e purificar as substâncias responsáveis por estas atividades, além de dar início a testes ‘in vivo’ (que ocorre ou tem lugar dentro de um organismo ou em tecido vivo)”.

Os primeiros resultados, que utilizaram o cará-moela já foram publicados em 2018 no Journal of King Saud University, revista de Qualis Capes A1 e fator de impacto 3.74 (2021).  Já haviam registros científicos sobre a presença de substâncias de interesse farmacológico neste tubérculo, mas os estudos agora apresentados revelaram atividade antitumoral inédita na literatura consultada sobre células leucêmicas Raji e Jurkat e serão encaminhados para publicação em importantes revistas internacionais.

Os pesquisadores são gratos à UTFPR e às agências de fomento Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superio (CAPES) e Fundação Araucária pelas bolsas de estudo ofertadas. 

Mas o que é o cará-moela (A Planta da Vez!)?  

O Cará-moela (Dioscorea bulbifera L.) um dos raros tubérculos que não nascem enterrados, mas são aéreos, se desenvolvem pendurados na planta. Por conta da forma como nasce ele também é conhecido como cará do ar. É um parente próximo do cará comercial (Dioscorea alata L.), apresentando sabor e usos semelhantes. Por ser ainda pouco conhecido e usado na culinária, é considerado uma Planta Alimentícia Não Convencional (PANC).

É uma Planta não nativa, naturalizada no Brasil. De origem asiática e africana, é abundante nas regiões tropicais do mundo. Embora de fácil propagação e manutenção, aqui seu cultivo ainda é restrito a quintais e hortas domésticas. 

Após serem cozidos no vapor ou em água, podem entrar na composição de uma vasta lista de pratos culinários: purês, patês, refogados, sopas, caldos, cremes, tortas e muito mais. Também podem ser consumidos assados ou fritos. Os frutos são ricos em amido e glúten e, após secagem, podem ser transformados em farinha para panificação ou usados como fonte de amido para a indústria de fármacos e cosméticos. Seus tubérculos, folhas e flores possuem propriedades medicinais.