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Mesa-redonda debate o que é assédio no cotidiano da UTFPR
publicado: 12/02/2020 11h47 última modificação: 12/02/2020 11h47
Mesa-redonda sobre assédio (Foto: Decom)

Mesa-redonda sobre assédio (Foto: Decom)

O UTFPR Mulher realizou nesta terça-feira (11), Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, o primeiro evento oficial do programa. A mesa-redonda "Você sabe o que é assédio?" aconteceu no Miniauditório do Câmpus Curitiba e teve como objetivo debater o assunto abordando os desafios cotidianos no âmbito social, profissional e estudantil.

A mediadora do evento e idealizadora do programa, a vice-reitora Vanessa Ishikawa Rasoto, convidou para discutir o tema a vereadora e médica legista do Instituto Médico Legal do Paraná, Maria Letícia Fagundes; o psicólogo e psicanalista, William Maron; a desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, Thereza Cristina Gosdal; e a egressa de Arquitetura e Urbanismo da UTFPR, reconhecida pela União Europeia como uma das jovens mais influentes do mundo com o projeto para deixar as cidades mais inclusivas para mulheres, Laís Leão.

Vanessa Ishikawa lembrou do histórico da Universidade, que teve início como escola de aprendizes e artífices para meninos, depois com oferta de cursos profissionalizantes, com turmas ainda formadas majoritariamente por homens, até a transformação em UTFPR há 14 anos,  período em que houve um aumento da presença da temática do assédio na sociedade e, consequentemente, na instituição. “Precisamos falar de assédio e proteger nossas estudantes e servidoras e, acima de tudo, contribuir para formação de políticas públicas na área”, afirma.

A vereadora Maria Fagundes, uma das debatedoras, atua pelos direitos das mulheres vítimas de violência doméstica e vem propondo leis neste sentido na Câmara Municipal de Curitiba. Ela apresentou uma pesquisa realizada entre usuários do transporte público da capital, a qual constatou que 73% das mulheres ouvidas disseram já ter sofrido assédio nos ônibus da cidade. E falou do crescente movimento de denúncia que as mulheres vem apresentando. “Não nos calaremos mais. Quando uma cidade é segura para a mulher, ela é segura para todos”.

Em seguida, o psicólogo William Maron explicou as diferenças, perante à psicanálise, de comportamento de poder entre homens e mulheres: “Sempre que há conquistas de minorias, a grande maioria responde perversa e violentamente”. Já a desembargadora Thereza Cosdal esclareceu as diferenças de assédio moral e sexual e contextualizou o retardamento da discussão do assunto em órgãos públicos, após ele já ser combatido na iniciativa privada.

Ao final, a arquiteta Laís Leão argumentou a influência da relação da cultura e ambiente com o assédio. “Um ambiente onde um programa como o UTFPR Mulher é criado já demonstra que ali, as mulheres não querem mais aceitar isso”. A egressa também citou o fato de que muitas mulheres não denunciam o assédio por medo e alertou para que a Universidade também se preocupe com a segurança das estudantes e servidoras no entorno da instituição, criando ambientes mais seguros.

O evento foi transmitido ao vivo pelo YouTube e íntegra do debate será disponibilizada no Canal da UTFPR.

Sobre o programa:

Constituído por uma comissão de representantes dos 13 câmpus da Universidade, o UTFPR Mulher é uma iniciativa institucional da vice-reitoria da UTFPR lançado no Conselho Universitário do último mês de dezembro e que visa promover o debate e iniciativas para igualdade de gênero. Entre a ações futuras, o grupo discute, por exemplo, a implantação de ações de mentoria e curadoria para estudantes e servidoras da instituição.