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IV MEBIO da UTFPR-DV promove discussões sobre a privatização, militarização e plataformização das escolas públicas do Paraná

IV MEBIO da UTFPR-DV promove discussões sobre a privatização, militarização e plataformização das escolas públicas do Paraná

Publicado 11/12/2024, 11:55:50 AM, última modificação 11/12/2024, 12:03:23 PM
A discussão ocorreu no dia 04 de novembro, durante a VI Mostra de Ensino e Práticas Pedagógicas de Ciências e Biologia da UTFPR-DV.

No dia 04 de novembro, durante a VI Mostra de Ensino e Práticas Pedagógicas de Ciências e Biologia da UTFPR-DV, o curso de Ciências Biológicas promoveu um momento de discussão a respeito da privatização, militarização e plataformização das escolas públicas do Estado do Paraná. A abertura do evento contou com a presença e palestra do professor Dr. Cleiton Costa Denez da APP-Sindicato e com a participação de alunos e docentes da Educação Básica e do Ensino Superior.

O palestrante trouxe a discussão acerca da política educacional paranaense, que tem investido na lógica empresarial para organizar administrativa e pedagogicamente as escolas da rede pública. Essa lógica é implantada com o aparato estatal e com uma racionalidade autoritária para incutir uma cultura de individualismo e concorrência centrada no ideal de empreendedor de si mesmo e ao mesmo tempo impondo uma formação fragmentada e superficial. O palestrante explorou a relação de profunda interdependência entre os conceitos norteadores de sua fala: cria-se uma atmosfera de autoritarismo não para melhorar a qualidade do ensino e combater a violência e o descaso nas escolas, mas, para que o programa político empresarial exemplificado no semblante da plataformização seja aprovado com celeridade e com a menor resistência possível por parte de seus opositores. Tais reformas beneficiam o grande capital empresarial financeiro de grandes empresas transnacionais, como a Google e a Microsoft.

De acordo com o professor Cleiton, o Programa Parceiros da escola é um exemplo da lógica privatista presente nesta política com a ascensão das plataformas e de uma política de vigilância e monitoramento de dados e resultados. Nossa tarefa histórica enquanto educadores é resistir e apontar caminhos para uma educação libertadora e humanizadora. Na prática, a iniciativa tem a finalidade de subordinação e colonialismo digital em vez de se inclinar para a autonomia, pela ideia de as escolas utilizando ferramentas nacionais, em nosso benefício. Ao contrário, a plataformização da educação pública entrega parte significativa do orçamento destinado às escolas para empresas que gerenciam plataformas e ferramentas digitais. Além disso, a autonomia docente também é relativizada nesse intercurso, uma vez que os contratos firmados entre a Secretaria de Estado da Educação (Seed) e empresas como a Microsoft e Google, ao oferecerem plataformas como Power BI e Classroom como viabilidade do trabalho docente, servirão como ferramentas de monitoramento e controle pedagógico, uma vez que são capazes de monitorar índices de desempenho e de gestão do tempo, para ficar nesses exemplos. Vale frisar que esta não é a única via de melhoria do ensino público, uma vez que tais verbas poderiam ser usadas na contratação de funcionários e compra de equipamentos.

A palestra foi seguida com perguntas que movimentaram uma discussão complexa, envolvendo alunos licenciandos, professores do magistério superior e professores da rede básica de educação. As diferentes perspectivas, com ênfase dos professores da rede básica, foram fundamentais para uma radiografia das limitações que tais projetos incidirão sobre as dinâmicas da educação básica. 

A UTFPR-DV parabeniza os organizadores do evento e reitera seu compromisso com a discussão pela melhoria da educação paranaense e nacional.

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