Climatologia

Publicado 11/8/2017, 1:29:29 PM, última modificação 11/8/2017, 1:31:14 PM
Estudo identifica evidências de ilhas de calor em Francisco Beltrão

Professor Fernando Manosso mostra os gráficos gerados por meio do estudo

Um trabalho de campo desenvolvido pelos alunos da disciplina de Climatologia, do curso de Engenharia Ambiental, identificou a formação de ilhas de calor em diversas áreas de Francisco Beltrão. A coleta foi realizada no dia 18 de abril na malha urbana do município, exceto cidade norte, e posteriormente mapeada por meio de um software. As ilhas de calor marcam a diferença grande de temperatura em locais próximos.

Alguns dos pontos que colaboram para a formação das ilhas de calor são a concentração de edificações, o tipo de material utilizado para impermeabilização urbana, a ausência de áreas permeáveis e de árvores. Uma das consequências do fenômeno climático é o desconforto térmico. As ilhas podem impactar em diversas questões, até mesmo na financeira, devido ao uso de ar condicionado para gerar um conforto.

O trabalho coletou dados de temperatura e umidade do ar em 211 pontos da cidade, durante um intervalo de meia hora. As oito equipes de estudantes percorreram 28 quilômetros com um termômetro para aferição. De acordo com o professor da disciplina, Fernando Manosso, a coleta deve ser rápida para evitar que a as condições do próprio dia interfiram nos resultados. “Fizemos os trabalhos às 15h30, momento da saída do pico de temperatura do dia, e a velocidade é necessária já que conforme o passar do tempo a temperatura vai diminuindo já que o sol vai se pondo”, explicou.

Foram identificadas as primeiras evidencias de três ilhas de calor, próximo ao trevo do Alvorada, próxima ao Detran e próxima ao bairro Industrial. Os locais apresentaram temperatura acima da média e áreas com menor número de árvores. “É comprovado que a vegetação arbórea minimiza os efeitos do desconforto térmico, por isso é tão importante trabalhar a arborização nos municípios”, destacou o professor. Os estudos devem ter continuidade, inclusive no período noturno.

Para diminuir ou eliminar as ilhas de calor podem ser desenvolvidas ações de arborização das vias públicas e espaços de lazer, aumento de áreas permeáveis nas vias e lotes urbanos, além de utilizar pavimentos mais 'frescos' constituídos de cores mais claras, mais porosos e intercalados com vegetação, de modo que possam irradiar menos o calor absorvido. “O asfalto tradicional, por exemplo, chega a ter 20 graus a mais que a temperatura ambiente, enquanto que um pavimento de concreto, sob as mesmas condições, pode possuir apenas 5 graus de diferença”, enfatizou Manosso.

Outro dado indicado pela pesquisa é que quanto mais próxima a zona rural ou áreas de vegetação original, menores as temperaturas e maiores os índices de umidade.

Além da relevância para a cidade os alunos têm a oportunidade de trabalhar o conteúdo na prática. A aluna Yuna Koyanagi considera importante o trabalho em campo, “foi muito interessante pois na cidade não temos estudos que abrangem esse tema de ilhas de calor. Realizar aulas práticas além de estimular o aprendizado dá suporte para nossa experiência profissional”, destacou.

Notícias de: 23/05/17