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Pesquisadores utilizarão inteligência artificial para auxiliar na irrigação de pequenas propriedades

Pesquisadores utilizarão inteligência artificial para auxiliar na irrigação de pequenas propriedades

Publicado 12/5/2023, 12:33:38 PM, última modificação 12/14/2023, 9:27:10 AM

Um grupo de pesquisadores da UTFPR está desenvolvendo pesquisas de alta tecnologia para a irrigação e foram um dos contemplados na chamada pública HIDRO 2022 da Financiadora de Estudos e Projeto (Finep), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Trata do projeto "Irrigação de Baixo Impacto Ambiental", um estudo inédito que será capaz de criar uma rede integrada com o uso da inteligência artificial em benefício de pequenos agricultores.

Imagem de uma das propriedades atendidas pela Bacia (Foto: acervo pessoal)

Eles estão trabalhando em um equipamento que fará o monitoramento da temperatura do solo das pequenas propriedades para prever o nível de irrigação necessária, através de uma comunicação com sistemas de previsão do tempo (como alerta de geadas, muitas chuvas ou calor excessivo) e alimentados via nuvem.

“Já existem sistemas em que se instalam sensores no solo para uma irrigação adequada. Porém, pensamos em ir além disso. Vamos criar uma rede integrada, ligada a sistemas de previsão de tempo e um sistema de inteligência artificial em nuvem como se tivéssemos um especialista na propriedade acompanhando a irrigação 24 horas por dia”, explica o coordenador do projeto Douglas Renaux.

Os pesquisadores demonstram, por exemplo, como a irrigação inteligente auxiliaria em questões de desperdício da água e qualidade do cultivo. “Não adianta irrigar muito o solo em um dia que vai chover, além do desperdício, prejudicaremos a plantação. Outra vantagem está na geada que, com a irrigação, podemos aumentar a temperatura das folhas e evitar o seu congelamento”, completa o professor Renaux.

Outro benefício apontado pela equipe é com o impacto social do projeto nas propriedades familiares, sobretudo em problemas como o assoreamento. “Com excesso da irrigação, uma quantidade importante de terra rica é jogada na água e, com o constante assoreamento, essa parte de terra perdida terá reflexo no futuro das próximas gerações das propriedades familiares que, em sua maioria, sobrevivem do que produzem”, destaca o pesquisador Carlos Erig.

Desenvolver esse sistema para que ele tenha um baixo custo para os produtores também é o objetivo do grupo desta pesquisa. “Algumas empresas têm sistemas sofisticados de monitoramento e, pelo seu alto valor de custo, acabam ficando restritas às grandes propriedades e não são destinadas a cultivos de grande rotatividade, como é o caso das hortaliças. Queremos um sistema com valor compatível às pequenas propriedades com as quais estamos trabalhando”, informa o coordenador Douglas Renaux.

Os sensores serão instalados no solo das propriedades do município de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), atendidas pela Bacia do Miringuava, utilizada para captação de água pela Sanepar (também conveniada para auxiliar neste projeto).  Atualmente, a equipe está desenvolvendo o primeiro protótipo do equipamento, o qual deve ficar pronto até o final do primeiro semestre de 2024. Os testes serão realizados na área da fazenda experimental do Campus Dois Vizinhos.

Além dos professores Douglas Renaux e Carlos Erig, fazem parte das pesquisas os docentes Paulo Stadzisz, André Lazzaretti e Elder Oroski do Laboratório de Inovação e Tecnologia em Sistemas Embarcados (LIT) do Campus Curitiba; Adalberto de Paula e Dalva Paulus do curso de Agronomia do Campus Dois Vizinhos, e técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), coordenados pelo extensionista Thiago Hachmann. O grupo também contará com a participação de alunos de graduação e pós-graduação dos dois campi da Universidade, através de disponibilização de bolsas.

Apoio financeiro

Mais de 70 propostas foram apresentadas para esta chamada pública da Finep. O projeto da UTFPR foi aprovado em quarto lugar e receberá o investimento de R$ 1.104.367,74 e deverá ser executado em três anos. No primeiro resultado apenas cinco propostas foram contempladas. No último mês de novembro, o edital recebeu suplementação de recursos orçamentários e a quantidade de projetos aprovados passou para 11.