UTFPRecicla

Publicado 7/10/2020, 10:17:54 AM, última modificação 11/3/2022, 5:39:08 PM
Projeto de extensão realizado em parceria com a Prefeitura Municipal e empresas da região recompõe computadores e revitaliza infraestrutura de entidades como o laboratório da Fundabem

Concebido com o propósito de realizar a reciclagem de computadores como atitude de inclusão digital, social e de preservação do meio ambiente, o projeto UTFPRecicla concretizou mais uma importante etapa no último dia 07 de julho: a entrega de 15 computadores, à Fundação Patobranquense do Bem-Estar (Fundabem), de Pato Branco, entidade que atende a crianças e adolescentes carentes em situação de risco pessoal e social, em regime de semi-internato. Os computadores foram recompostos a partir de máquinas consideradas obsoletas doadas por empresas de Pato Branco e Dois Vizinhos. As unidades doadas substituíram os computadores existentes no laboratório da Entidade que não tinham mais condições de uso.

O projeto está em funcionamento desde o ano de 2012 e tem dois objetivos principais: realizar a reciclagem de computadores de modo a oferecer uma maior vida útil aos computadores considerados inviáveis economicamente e destiná-los a entidades assistenciais e educacionais do município de Pato Branco e região. Outro objetivo é capacitar jovens em teoria e prática de montagem e manutenção de computadores; instalação e configuração de sistemas operacionais e aplicativos, assim como instalação e configuração de periféricos. 

As atividades do UTFPRecicla são coordenadas pelo professor do departamento acadêmico de Informática (Dainf), da UTFPR, Câmpus Pato Branco, Fábio Favarim, que concebe a iniciativa como alternativa na solução das lacunas existentes nessa área. Ele explica que "de um lado estão empresas e pessoas físicas, as quais possuem computadores que estão obsoletos ou que não estão funcionando por algum motivo e que muitas vezes são descartados de forma incorreta, de outro lado há instituições assistenciais e escolas, que sequer possuem computadores ou ainda estão com seus equipamentos literalmente sucateados".

O trabalho consiste em várias etapas, com viés social e sustentável, sendo realizado em caráter voluntário respeitando as prerrogativas relacionadas à sustentabilidade. "O que fazemos é recolher esses computadores das empresas, efetuar a recomposição, isto é, a partir de peças de dois ou mais, montamos um computador em excelente estado para doação às entidades. As peças que estão estragadas ou que estão muito defasadas, são destinadas ao descarte adequado. Desse modo, acreditamos que também estamos contribuindo para a preservação do meio ambiente”, complementou o professor. 

Desde sua concepção a iniciativa recebeu cerca de 500 computadores, que resultou em cerca de 200 unidades em plenas condições de uso, os quais foram destinados às entidades de Pato Branco e região. A condução do projeto tem sido possível devido à integração da Universidade, de empresas da região e da Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (SMCTI) de Pato Branco. As principais empresas que já contribuíram foram Atlas Eletrodomésticos, CISS S.A. e GP Combustíveis. Gradativamente, mais empresas e pessoas estão se manifestando e agregando esforços ao Projeto.

Os trabalhos não cessam e, mesmo em período da pandemia do Covid-19, em que os alunos vinculados ao projeto acabaram voltando para suas cidades de origem, outras mobilizações viabilizaram a doação destes equipamentos à Entidade. O coordenador do projeto, conta que essa doação contou com um apoio especial da Direção de Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação da SMCTI, representada pelo Senhor Douglas Henrique Batista, o qual providenciou junto com sua equipe a retirada dos computadores antigos, o transporte e instalação dos computadores no laboratório da Fundabem.

Além de promover a inclusão digital e consolidar outros aspectos positivos, o resultado final do esforço coletivo se sobressai, evidenciado nas palavras daqueles que serão beneficiados. “A transformação do laboratório é surpreendente”, declarou a coordenadora da Fundabem, Flávia Marçola Osinski, que atua na Instituição há sete meses. Ela ressalta que “as máquinas estavam lentas e os softwares desatualizadas, quase que em desuso”, assim como o ambiente físico (sala), que segundo ela “apresentava aspecto de abandono, sendo quase um lugar de "lixo eletrônico” do que um laboratório de informática”, descreveu. 

A coordenadora afirma que “o recebimento das doações dos 15 computadores oriundos do projeto UTFPRecicla, de teclados e mouses pela MedPrev, bem como das bancadas doadas pela Senhora Renata Batistello e seu marido Mauricio Pozza, a Entidade fica perfeitamente atendida nessa área”. Ela destacou, também, que o Laboratório de Informática da Fundabem era o primeiro projeto que a nova diretora administrativa queria poder oferecer aos beneficiários da Instituição, com o intuito de poder ofertar cursos de informática e assim facilitar a inserção dos adolescentes ao mercado de trabalho. Agora, “temos uma sala pronta, com 100% dos equipamentos montados e funcionando”, declarou Flávia. 

“A iniciativa das parcerias são extremamente importantes para as instituições sem fins lucrativos, pois existe uma dificuldade muito grande em adquirir esses equipamentos e mobiliários”, afirmou a coordenadora. Agradeço a todos os envolvidos que se prontificaram, aceitaram esse desafio e se dedicaram a ele, não medindo esforços para que se realizasse”, concluiu. 

Expectativas e participação da comunidade

As ações de coleta e recomposição de computadores terão continuidade e, inclusive, podem vir a contemplar mais entidades beneficiadas. As empresas e pessoas físicas que quiserem contribuir doando seus computadores obsoletos ou com alguma peça estragada, monitores, teclados, mouse, etc, podem entrar em contato com a coordenação do projeto, pelo e-mail favarim@utfpr.edu.br manifestando a demanda para programar o recolhimento. Do mesmo modo, as entidades que estão precisando de equipamentos, podem manifestar o interesse utilizando esse contato. No entanto, a coordenação destaca que o objetivo não é recolher lixo eletrônico, mas equipamentos e/ou peças que possam vir a ser reaproveitadas e, em relação às doações, ressalta-se que não é feita doação direta dos equipamentos para pessoas físicas. 

Em linhas gerais este projeto traz uma proposta cidadã: conhecimento focado na inclusão digital que contribui para a inclusão social e a preservação ambiental. As atividades deste projeto se somam a um programa maior, denominado Escola Pato Branco Digital, realizado em conjunto com a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (SMCTI) de Pato Branco.