Você está aqui: Página Inicial > Notícias > Geral > Divulgação Científica > Pesquisa usa a casca do maracujá para adsover corantes na água
conteúdo

Notícias

Pesquisa usa a casca do maracujá para adsover corantes na água

Reaproveitamento

Estudos comprovam a eficiência deste resíduo como meio alternativo para tratamento
publicado: 11/05/2022 12h35 última modificação: 13/05/2022 10h00
Foto: Decom

Foto: Decom

Uma pesquisa realizada no Campus Curitiba vem estudando a capacidade da casca de maracujá como material alternativo para adsorção de corantes em água. Os estudos começaram em 2019 pelo aluno do mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental (PPGCTA), Lucas Lacerda Cabral, orientado pela professora Karina Querne de Carvalho Passig, e coorientado pela professora Poliana Macedo dos Santos.

Utilizando o resíduo da fruta do maracujá (fruto típico da América do Sul, sendo o Brasil um dos maiores produtores mundiais), ou seja, a sua casca, os pesquisadores observaram o comportamento dela em soluções aquosas. Um dos despejos, segundo o pesquisador, em que os adsorventes convencionais não têm demonstrado eficiência são com relação aos corantes.

“Nos corpos hídricos estes corantes podem causar inibição do processo fotossintético, dificultando a incidência de luz solar e, consequentemente diminuindo a concentração de oxigênio dissolvido na água, prejudicando todos os organismos dessa comunidade. Além disso, a exposição contínua a altas concentrações destas substâncias pode ser prejudicial à saúde humana, uma vez que são substâncias tóxicas e carcinogênicas”, explica Lucas Cabral.

De acordo com os estudos da pesquisa, os adsorventes convencionais como o carvão ativado tem dificuldade na adsorção de corantes devido a características como recalcitrância, resistência à digestão aeróbia e estabilidade à agentes oxidantes.

Com relação ao carvão ativado a partir da casca do maracujá, os experimentos demonstraram que ele apresentou uma eficiência de remoção de 100% para o corante azul de indigotina, 79% para o amarelo tartrazina e 84% para o ponceau 4R.

Além dos bons resultados da pesquisa, o uso de um material a partir de resíduos contribuiria para o meio ambiente e reduziria os custos do processo comparado aos tradicionais.

“Os adsorventes alternativos tem atraído cada vez mais atenção de pesquisadores, por aumentar a viabilidade econômica da adsorção, em contrapartida ao uso de carvões ativados comerciais. Resíduos podem ser adsorventes alternativos, o que possui forte apelo ambiental, visando o reaproveitamento de um material que seria descartado. Dentre estes materiais estão os resíduos agroindustriais, que são abundantes na natureza, possuem menor custo, requerem pouco ou nenhum processamento para sua utilização, além de possuírem alta eficiência em diferentes tipos de remoção. Estes resíduos são encontrados na forma de cascas, sementes e são compostos por moléculas que favorecem o processo adsortivo”, completa o pesquisador.

Adsorção

 A adsorção é o processo de transferência de fase para remover substâncias de fases fluidas (gases ou líquidos). A remoção ocorre devido a capacidade que alguns sólidos possuem de concentrar em sua superfície certas substâncias presentes nesses fluidos, proporcionando sua separação por fenômenos de natureza física (fisissorção) ou química (quimissorção). A substância que é adsorvida é chamada de adsorvato, e o material sobre o qual ocorre a adsorção é conhecido como adsorvente.

“As principais vantagens deste método são a sua simples operação, capacidade de elevadas taxas de eficiência de remoção e sua viabilidade econômica quando associada ao uso de adsorventes alternativos”, destaca.