Home
/
Destaques
/
Homenagem a Cássio Roberto Rosa dos Santos

Homenagem a Cássio Roberto Rosa dos Santos

Texto produzido pelo Prof. Igor de Paiva Affonso e que representa o curso de Licenciatura em Ciências Biológicas bem como o Departamento Acadêmico de Ensino (DAENS)

Ontem tivemos a triste notícia do falecimento precoce do nosso ex-aluno, Cássio Roberto Rosa dos Santos, graduado em Ciências Biológicas em 2024, vítima de um acidente rodoviário.
Tem gente que passa pela vida e deixa lembranças. O Cássio passou deixando lições, encontros, sorrisos e muita coisa boa.
Cássio era um sujeito daqueles que pareciam ter entendido alguma coisa importante sobre viver antes da maioria de nós. Nascido em 21 de julho de 2002 e falecido em 17 de junho de 2026, a poucos dias de completar 24 anos, ele deixa uma sensação difícil de explicar e impossível de ignorar: a de que, em seus 8.732 dias de vida, viveu mais intensamente do que muita gente vive em muitas décadas. E não digo isso pelo tanto de lugares que conheceu ou pelas coisas extraordinárias que fez, mas pela forma como ocupava o mundo, com afeto incondicional e uma disposição inesgotável de se conectar com as pessoas. E eu vou explicar.
Na faculdade de Biologia, era apaixonado por biologia marinha e por ensinar, a quem quisesse ouvir, os encantos de sua profissão, algo que ele fazia com maestria. Ele carregava uma curiosidade infantil diante do mundo e, ao mesmo tempo, uma maturidade rara no jeito de cuidar das pessoas de todas as idades, origens e credos.
Como aluno, era comprometido, colaborativo, agregador, competente e confiável, daqueles que fazem tudo parecer fácil porque sempre entregam mais do que o esperado. No seu TCC, desenvolveu um estudo inédito, muito além do que normalmente se espera de um trabalho de graduação. O texto que ajudou a construir tem qualidade científica em nível internacional e, neste momento, está em processo de edição em uma revista de alta relevância na área de Ecologia. Mas reduzir o Cássio ao excelente estudante e profissional que foi seria muito pouco. Porque o que mais impressionava nele não era o que ele produzia, mas a forma como ocupava o mundo e escolhia viver.
Toda vez que alguém perguntava como ele estava, a resposta vinha pronta e sempre no mesmo tom elevado, quase como uma filosofia de vida: “incrível!”. Mas quem conheceu o Cássio sabe que ele não apenas pronunciava a palavra, ele parecia expandir o significado dela. Havia uma ênfase tão genuína na forma como dizia, uma entonação tão carregada de entusiasmo e presença, que o “incrível” dito por qualquer outra pessoa passava a soar tímido e sem graça. Como se, por alguns segundos, ele nos convencesse de que as coisas podiam mesmo estar melhores do que imaginávamos. E não era força de expressão. Era um jeito genuíno de olhar para as coisas, de encontrar encanto, de viver com presença.
Cássio também nos ensinou que amar é escolher presença. Na colação de grau de sua turma, quando sua família não pôde se fazer presente, ele fez algo inesperado: abriu mão da cerimônia e da celebração com os amigos para estar com a família. Nos pouquíssimos dias de folga que conseguiu para se ausentar de seu trabalho, preferiu visitar a sua mãe, Eliana, seu pai, Agnaldo, e seus irmãos, pessoas de quem sempre falava com tanto carinho e saudade, e foi comemorar junto dos seus. Como quem dizia, sem precisar dizer: conquistas só fazem sentido quando podem ser compartilhadas com quem caminhou junto.
Ele era também aquele tipo raro de pessoa que atravessa fronteiras sem perceber que elas existem. Na Universidade, era querido por estudantes, técnicos, zeladores, professores e, atipicamente, pelos pais e filhos dos professores, com quem fazia questão de estar sempre que tinha oportunidade.
Cássio tem tantas histórias espetaculares que não caberiam numa nota tão curta como esta, mas existe uma que talvez resuma bem quem ele era. Ele era o tipo de cara que via um artista de rua cuspindo fogo e, em vez de só parar para assistir, ia conversar, fazia amizade, pedia para aprender e, quando você percebia, já estava cuspindo fogo também. Ele literalmente fez isso, e isso mostra que ele não se contentava em observar a vida, ele entrava nela de verdade. Se interessava pelas pessoas, pelas histórias, pelas experiências, sem medo do ridículo e sem economia de emoções.
Se hoje a dor da sua perda é imensurável e irreparável, também é impossível pensar no Cássio sem lembrar que ele deixou exatamente aquilo que viveu: união, colaboração, alegria e a capacidade de fazer qualquer ambiente parecer mais leve. E talvez a melhor forma de honrar alguém como ele seja, quando a vida perguntar como estamos, responder: Incrível!!!
Obrigado por tudo, Cássio!

Reportar erro