PPGDP-CT

Sobre o PPGDP

O Programa de Pós-Graduação em Design Prospectivo (PPGDP) é uma unidade de pesquisa e formação em nível de pós-graduação da UTFPR, Campus Curitiba . Inaugurado em 2025, é o primeiro programa com concentração em Design Prospectivo no Brasil e talvez no mundo. Atualmente, o programa oferece um Curso de Mestrado em Design Prospectivo, cujas disciplinas podem ser cursadas por estudantes de fora da instituição. Além do Mestrado, o programa promove eventos e projetos de extensão.

Como todo Programa de Pós-Graduação vinculado à CAPES, o PPGDP está organizado em áreas de concentração (atualmente uma) e linhas de pesquisa (atualmente duas). Todas as pessoas docentes e discentes precisam estar vinculadas a uma linha de pesquisa no momento de ingresso no programa.

Identidade visual

O Programa de Pós-Graduação em Design Prospectivo possui uma identidade visual cambiante criada por diversos participantes em um processo de prospecção coletiva que buscou expressar as diversas qualidades relacionais cultivadas pelo programa. Clique na imagem para saber mais.

Área de Concentração

A área de concentração em Design Prospectivo se caracteriza pelo estudo das estruturas e suas qualidades relacionais para orientar projetos de transformação dos modos de ser e de viver. Nesta perspectiva, a prospecção consiste em: (1) reconhecer o trajeto histórico que formou a estrutura atual; (2) observar as qualidades relacionais que emergem desta estrutura como sintoma da necessidade de mudança; (3) projetar mudanças estruturais a partir das metaestruturas ou das infraestruturas, visando alcançar ou fortalecer qualidades relacionais desejáveis.

Nesta abordagem, a categoria estrutura se refere ao agrupamento de entidades e suas relações consolidadas ao longo do tempo. Alguns exemplos de estruturas são as formas de moradia, alimentação, educação, comunicação, produção de bens e criação artística. Em vez de se concentrar nas qualidades intrínsecas às entidades que compõem as estruturas, como por exemplo sua forma, eficiência, usabilidade ou durabilidade, o Design Prospectivo privilegia as qualidades das relações entre elas, que são por isso chamadas qualidades relacionais. Consideram-se qualidades relacionais a sustentabilidade, a equidade, a liberdade, a resiliência, a dialogicidade, a solidariedade e quaisquer outras que surjam das relações entre entidades.

Para projetar transformações, o Design Prospectivo intervém em pontos de alavancagem que formam as linhas de pesquisa do programa: as metaestruturas e as infraestruturas. Compreende-se por metaestruturas os aspectos ideológicos, estéticos, políticos e simbólicos que conferem significado, guiam a conformação e legitimam as estruturas. Já as infraestruturas dizem respeito aos aspectos organizacionais, operacionais, produtivos e instrumentais que dão sustentação e possibilitam a produção das estruturas. No Design Prospectivo, os projetos de transformação estrutural em direção às qualidades relacionais desejadas partem destes dois pólos, envolvendo tanto a prospecção de novas formas de imaginar e dar significado ao mundo por meio das metaestruturas, quanto novas formas de organizar e produzir essas realidades pelas infraestruturas.

Linhas de Pesquisa

Missão

A missão do Programa de Pós-Graduação em Design Prospectivo (PPGDP) e do seu Curso de Mestrado Acadêmico é: "formar mestres que possam contribuir com a prospecção de transformações nas estruturas que sustentam a vida, no âmbito local, regional, nacional e mundial, por meio da pesquisa, docência e prática profissional.

Para realizá-la, o programa oferece atividades de ensino, pesquisa e extensão pautados em uma perspectiva projetual característica da área de Design. Espera-se com essa ênfase projetual, contribuir para consolidar a Pesquisa em Design no Brasil como uma área reconhecida pela sua produção de conhecimento relevante para outras áreas e a sociedade como um todo. Faz parte também da sua missão contribuir para a valorização das qualidades relacionais como princípio orientador na prospecção destas mudanças.

A partir desse perfil do egresso voltado para a pesquisa, docência e atuação profissional, completa a missão do PPGDP e do seu curso auxiliar que os mestres formados possam ocupar posições relevantes para sua atuação com Design Prospectivo. Entre elas, é missão formar egressos para atuar com a docência em cursos superiores em Design ou em outras áreas que tenham interesse em projetos de estruturas, design prospectivo e qualidades relacionais; atuar em posições de pesquisa científica em instituições públicas ou privadas; atuar em projetos de prospecção de transformações estruturais em empresas, no poder público ou no terceiro setor; assim como atuar em posições ligadas aos departamentos de responsabilidade sócio-ambiental destes. 

Para que isso aconteça, a missão do PPGDP implica, também, na expansão da Pesquisa em Design para novos âmbitos, dialogando também com conhecimentos de disciplinas como Engenharias, Computação, Economia, Ecologia, Sociologia, Antropologia e outras áreas. Desta forma, a produção de conhecimentos projetuais é entendida não só como parte, mas como condição da produção de conhecimentos na contemporaneidade, partindo do pressuposto que projetar é enxergar, representar e analisar relações invisíveis, para depois manipulá-las como parte de estruturas.

Visão

O PPGDP tem como visão: “auxiliar na expansão e na consolidação do campo do Design Prospectivo em âmbito regional, nacional e internacional.” É a partir dessa visão que o Curso de Mestrado Acadêmico em Design Prospectivo objetiva a formação de egressos que possam auxiliar nessa expansão do campo por meio da pesquisa, docência e atuação profissional. Essa visão também acompanha o próprio crescimento da necessidade de abordagens de design mais abrangentes e interdisciplinares, que possam contribuir no enfrentamento dos problemas amplos e complexos das estruturas atuais. 

O PPGDP tem como visão explorar o potencial de projetos prospectivos para identificar brechas, antecipar e viabilizar transformações nas mais diversas estruturas relacionadas à vida. O caráter de tais transformações estruturais, nesta abordagem, se define pela problematização e proposição de estratégias, artefatos, serviços ou sistemas capazes de interferir nas estruturas. 

Nesta perspectiva, a estrutura é vista como uma rede de relações entre as entidades que a constituem, e que suportam uma série de ações. É condição para que ações aconteçam sobre qualquer estrutura a existência de atores que, interagindo entre si, as transformam. Por isso, entende-se que a configuração entre atores, estruturas e relações é o tripé sobre o qual se funda o projeto prospectivo.

A perspectiva de projeto prospectivo considera que as estruturas, além de serem ponto de partida para a ação humana, também são resultantes de uma série de projetos humanos anteriores, os chamados trajetos. Incompatibilidades, incongruências, desarticulações e contradições entre estruturas são, portanto, resultado do conflito entre projetos disruptivos e trajetos conservados. 

Este é o ponto distintivo fundante da visão aqui proposta: se os projetos disputam o delineamento das estruturas, pois estas funcionam como mediações fundamentais para a ação humana, eles têm grande valor nos âmbitos políticos, econômicos e culturais. Assim, assumir o Design como ação política significa que estruturas humanas ou humanizadas tem agência independente das intenções, isoladas ou conjuntas, que subjazem a sua composição e significado. 

Se um ator quer realizar uma ação sobre outro ator, ele precisa utilizar a estrutura existente no sistema, ou transformá-la para comportar sua atuação. Eventualmente, a ação exige uma estrutura que ainda não existe, e então surgem projetos de design para prospectar estruturas novas que se combinam às estruturas atuais. Isto significa que a possibilidade de transformação muitas vezes já está presente e disponível ao redor da estrutura, nas suas margens. As infraestruturas e as metaestruturas são os pontos de alavancagem preferenciais do Design Prospectivo por oferecer um pouco mais de maleabilidade do que a estrutura principal já enrijecida. O cultivo das qualidades relacionais nas infraestruturas e metaestruturas tem o potencial de transformar indiretamente a própria estrutura.

Entende-se que indivíduos, empresas, organizações do Terceiro Setor, órgãos governamentais e quem quer que queira confrontar suas perspectivas de futuro e, através deste confronto, explorar o espaço de possibilidade de transformação, pode atuar na elaboração de projetos prospectivos. Quanto mais diferentes forem as posições destes atores, mais qualidades diferentes serão atribuídas às relações entre eles e as estruturas. Esta multiplicidade de atores define a característica de co-criação consciente da visão prospectiva, que busca a horizontalidade nas relações entre eles, sejam humanos ou não-humanos, no que chamamos Prospecção Coletiva. 

Característica fundamental do projeto prospectivo, a co-criação se funda na articulação de práticas, teorias, estratégias e ferramentas de áreas como Engenharias, Arquitetura e Urbanismo, Filosofia, Antropologia e Sociologia, o que implica na expansão do campo de atuação do Design enquanto disciplina compositora do mundo. O paradigma de pesquisa aqui proposto permite a leitura interdisciplinar necessária para problematizar e propor soluções a problemas complexos, com o objetivo de tratar a sustentabilidade nos seus três pilares: ambiental, econômico e social. 

A ênfase nas qualidades relacionais colocada pelo Design Prospectivo viabiliza o combate às desigualdades, a promoção de inclusão social e equidade, a redução de disparidades, e a mitigação de impactos ambientais como princípios da área de Arquitetura, Urbanismo e Design, onde se insere o Programa. Como cada uma dessas qualidades relacionais já é cultivada há muito tempo em outras áreas do conhecimento, busca-se a colaboração interdisciplinar e transdisciplinar.

Comprometido com a produção de conhecimento projetual, o Design Prospectivo se desenvolve como uma práxis baseada em projetos prospectivos voltados para infraestruturas e metaestruturas. Enquanto campo prático, consolida as competências de prospeção, antecipação, facilitação, colaboração, articulação, integração e transformação que designers profissionais têm desenvolvido a partir da sua atuação na sociedade nas últimas décadas. Enquanto campo teórico, apresenta uma maneira de pensar e transformar estruturas através de projetos que priorizam qualidades relacionais.

Objetivos

O objetivo geral do Programa de Pós-Graduação em Design Prospectivo e do seu Curso de Mestrado é formar mestres pesquisadores, educadores e profissionais com consciência crítica e criativa capacitados a auxiliar na prospecção de mudanças estruturais na sociedade. Esses mestres devem ser capazes de desenvolver projetos de prospecção e desenvolvimento de tecnologias, metodologias e teorias para antecipar mudanças estruturais. Também devem ser capazes de capturar e lidar com as qualidades relacionais que surgem da multitude de coisas relacionadas, buscando estruturas mais justas, igualitárias, éticas, inclusivas, sustentáveis, resilientes e afetivas. Visando atingir o perfil do egresso estipulado, o objetivo do curso também é prover formação e oportunidades de aprofundamento nas áreas de atuação da pesquisa científica, da docência em ensino superior e da atuação profissional em empresas, poder público e terceiro setor, ambas as três atuações são estratégicas para a consolidação e crescimento do Design Prospectivo.

Pautados pela missão, visão, valores e objetivos, são estabelecidos alguns objetivos específicos:

(1) Desenvolver projetos de pesquisa, ensino e extensão pautados pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e pelos problemas capciosos que emergem dos sistemas sociotécnicos brasileiros;

(2) Desenvolver tecnologias que antecipem mudanças estruturais e que possam ser transferidas e exploradas comercialmente ou comunalmente;

(3) Desenvolver uma compreensão profunda das qualidades relacionais que surgem da interação entre múltiplas entidades, promovendo abordagens de design que buscam estruturas sociais mais justas, igualitárias, éticas, inclusivas, sustentáveis, resilientes e afetivas;

(4) Promover forte integração entre teoria e prática por meio de pesquisas científicas que ocorrem em conjunto com o desenvolvimento de projetos reais de design prospectivo. 

(5) Firmar-se como referência local, nacional e internacional de qualidade na formação e criação de conhecimento sobre design prospectivo e projeto de infraestruturas e metaestruturas.

(6) Contribuir para a inserção de designers pesquisadores em projetos multidisciplinares de prospecção de transformações estruturais.

(7) Fortalecer a cooperação Sul-Sul com demais países emergentes, com desafios estruturais similares ao Brasil, onde a expansão da pesquisa e do desenvolvimento de projetos prospectivos pode impactar positivamente em todos. 

(8) Auxiliar na redução de assimetrias regionais, assim como a desigualdade de acesso a grupos historicamente oprimidos, no tocante a programas de pós-graduação stricto sensu em Design.

Histórico

O Programa de Pós-Graduação em Design Prospectivo da UTFPR surge como resultado de um processo de amadurecimento institucional, acadêmico e científico desenvolvido principalmente no âmbito do Departamento Acadêmico de Desenho Industrial (DADIN), mas também articulado com docentes de outras áreas e instituições. Sua origem está vinculada à necessidade de verticalizar a formação em Design na UTFPR, fortalecendo a passagem entre graduação, pesquisa, extensão e pós-graduação stricto sensu. Essa demanda era particularmente evidente porque o DADIN já ofertava dois cursos diretamente ligados à área — o Bacharelado em Design e a Tecnologia em Design Gráfico — ambos com entrada regular de estudantes e expressivo número de egressos anuais. Além disso, a própria graduação já vinha incorporando temas próximos ao Design Prospectivo, como design de serviços, experiências, sistemas e a disciplina Introdução ao Design Prospectivo, preparando um ambiente favorável à criação do mestrado.

A proposta também se apoia no Planejamento Estratégico 2016-2030 do DADIN/UTFPR, que define como missão promover a educação em design por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, com atenção à sustentabilidade social, cultural, ambiental e econômica. Nesse documento, a criação de um Programa de Pós-Graduação já aparecia como iniciativa prioritária para ampliar a verticalização do ensino em Design na universidade. O planejamento indicava ainda que esse programa deveria abordar temas pouco contemplados por outros cursos stricto sensu da região, acolhendo estudantes e pesquisadores cujos interesses não se encaixavam nas áreas tradicionais do Design.

A partir dessa orientação, um grupo de docentes passou a se articular em torno da criação de uma proposta comum. Esses professores já desenvolviam pesquisas e projetos relacionados à sustentabilidade, justiça social, equidade de gênero, processos participativos, novos materiais, sistemas produtivos, inovação social, educação, cultura e tecnologia. O Design Prospectivo apareceu, então, como uma abordagem capaz de aproximar essas diferentes trajetórias, criando uma identidade compartilhada para o grupo. Seu ponto de convergência foi a compreensão das estruturas sociais, técnicas, simbólicas, produtivas e organizacionais como objetos de estudo e intervenção projetual.

Nesse sentido, o programa foi concebido a partir de uma ampliação do campo do Design. Em vez de restringir o projeto à criação de artefatos isolados, como produtos, peças gráficas ou interfaces, o Design Prospectivo propõe investigar e transformar estruturas existenciais, ou seja, estruturas das quais seres humanos dependem para existir aproveitar todas as suas potencialidades de ser. Estruturas existenciais incluem infraestruturas materiais, produtivas, operacionais e organizacionais, mas também metaestruturas simbólicas, ideológicas, culturais e políticas. O objetivo central deste programa de pesquisa passa a ser prospectar mudanças estruturais que favoreçam qualidades relacionais, como sustentabilidade, equidade, liberdade, participação, solidariedade e resiliência.

Essa formulação diferenciava a proposta de outros programas de pós-graduação em Design existentes na região. No Paraná, havia apenas um programa stricto sensu em Design, na UFPR, com área de concentração voltada a Design Gráfico e de Produto. A proposta da UTFPR buscava ocupar outro espaço acadêmico, voltado às relações entre design, sistemas complexos, transições sociotécnicas e transformação estrutural. Essa lacuna se tornava ainda mais relevante diante da expansão dos cursos de graduação em Design no estado e da crescente demanda por docentes, pesquisadores e profissionais capazes de atuar com sustentabilidade, inovação social e visão sistêmica.

Em 2019, esse grupo de docentes submeteu à CAPES uma primeira proposta de abertura do Programa de Pós-Graduação em Design Prospectivo. A submissão foi orientada pela exigência de que novas propostas de mestrado e doutorado apresentassem caráter inovador, respondessem a necessidades sociais e estivessem conectadas ao foco do programa. Embora a proposta tenha recebido avaliação positiva em diversos aspectos, ela não foi aprovada. Dos quatro critérios avaliados, três foram considerados atendidos: as condições asseguradas pela instituição, a dimensão e o regime de trabalho do corpo docente, e a produtividade docente e consolidação da capacidade de pesquisa. O ponto considerado insuficiente foi a própria proposta do curso, especialmente quanto à definição da área de concentração e das linhas de pesquisa, à presença de informações dispensáveis e à necessidade de detalhar melhor a infraestrutura disponível.

A partir desse parecer, o grupo iniciou um processo de revisão e fortalecimento da proposta. As principais ações foram: realizar seminários e grupos de estudos para se posicionar em relação às tendências de Pesquisa em Design; consolidar conceitualmente o campo do Design Prospectivo através de publicações científicas; aperfeiçoar a forma de explicá-lo e comunicá-lo através de palestras e redes sociais; reformular a área de concentração e as linhas de pesquisa; definir com maior clareza os espaços e laboratórios do programa; e qualificar a descrição da infraestrutura e do acervo bibliográfico. Esse período, que durou de 2020 a 2023, foi marcado por um esforço de amadurecimento intelectual e institucional, no qual os docentes buscaram não apenas ajustar o texto da APCN, mas também fortalecer efetivamente o campo que sustentava o programa.

Destaca-se, nesse período, a publicação do artigo “Design Prospectivo: uma agenda de pesquisa para intervenção projetual em sistemas sociotécnicos”, de Frederick van Amstel, Fernanda Botter e Cayley Guimarães, na revista Estudos em Design (Qualis A1). Esse artigo ajudou a estabelecer os fundamentos teóricos da proposta. Além dele, o corpo docente publicou estudos empíricos relacionados a problemas contemporâneos, como os impactos da pandemia de COVID-19, o trabalho remoto no setor de moda, a educação pós-pandemia, novos materiais sustentáveis, arranjos produtivos, metanarrativas de gênero, representações visuais, trocas culturais e ensino de design.

Também foram realizadas reuniões, oficinas, palestras e eventos que contribuíram para consolidar o Design Prospectivo como campo emergente. O Grupo de Estudos em Design Prospectivo promoveu encontros abertos em 2020 e, em 2021, foi sucedido pelo Seminário de Design Prospectivo. Outras iniciativas, como a oficina Prospectina 2050, aproximaram estudantes, docentes e comunidade na prospecção de futuros possíveis, especialmente no contexto educacional da pandemia. Paralelamente, docentes do grupo passaram a ser convidados para eventos nacionais e internacionais, ampliando a visibilidade da abordagem e sua circulação em redes acadêmicas do Brasil, Europa e América Latina.

Com esse aprofundamento, a proposta foi reformulada. A área de concentração deixou de se chamar Design de Tecnologias para Transição e passou a assumir diretamente o nome Design Prospectivo. As linhas de pesquisa foram reorganizadas como Infraestruturas e Metaestruturas, expressando de modo mais claro a compreensão do grupo sobre como as estruturas sociais se organizam e podem ser transformadas. Essa mudança demonstrou maior maturidade teórica, metodológica e comunicacional, permitindo apresentar o programa de forma mais objetiva, sem perder a complexidade de seu objeto.

O corpo docente comprometido com a proposta passou a reunir 11 professores permanentes e 3 colaboradores, distribuídos entre as duas linhas. Na linha de Infraestruturas, concentraram-se pesquisas sobre inovação, sustentabilidade, materiais, sistemas produtivos, construção, resíduos, indústria criativa, design participativo e inclusão. Na linha de Metaestruturas, agruparam-se investigações sobre conhecimento, narrativas, valores culturais, gênero, raça, espacialidades, educação, pensamento crítico e práticas de resistência. Essa diversidade expressava a própria natureza multisciplinar do programa, reunindo docentes com formação em Design, Comunicação, Arquitetura, Engenharias, Artes e Sociologia.

Além da produção científica, o grupo demonstrava experiência consistente em orientação, pesquisa, extensão e produção técnica. Havia ampla atuação em trabalhos de conclusão de curso, iniciação científica, mestrados, doutorados, publicações em periódicos, capítulos, livros, eventos, serviços técnicos, produtos, aplicativos e patentes. Projetos de extensão como o LADO, o ECOA, o Aproveita, o Núcleo de Design de Animação e o Motiro demonstravam a capacidade do grupo de articular pesquisa e prática em parceria com comunidades, organizações sociais e instituições públicas ou privadas.

Assim, o Programa de Pós-Graduação em Design Prospectivo não surgiu apenas como continuidade natural das ações do DADIN, mas como resposta a uma demanda institucional, regional e científica. Sua criação consolidou um campo emergente, voltado à formação de mestres capazes de atuar na pesquisa, na docência e em projetos de transformação estrutural. Ao final de 2024, a APCN foi aprovada pela CAPES, formalizando a criação do programa. A primeira turma, composta por 12 estudantes, iniciou suas aulas em agosto de 2025. A segunda turma iniciou-se em março de 2026 com 9 estudantes.


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