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“Espero que minha história inspire outras mulheres a entrar na pesquisa”

“Espero que minha história inspire outras mulheres a entrar na pesquisa”

Publicado 6/7/2024, 1:29:14 PM, última modificação 6/7/2024, 3:19:28 PM
Mariana Valentim é a entrevistada do mês de junho no quadro "Mulheres na Universidade". Ela estuda toxicidade de substâncias na água

Mariana Valentim respira a universidade. Graduanda do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, explorou (e ainda explora) todos os cantos da UTFPR. Já fez extensão, já foi do centro acadêmico, participou de eventos de todos os tipos, mas foi a iniciação científica que a conquistou totalmente. No Laboratório de Biomonitoramento e Ecologia Aplicada, ela caracteriza sedimentos dos rios para identificar espécies que indicam a qualidade ambiental do local. Ao mesmo tempo, no Laboratório de Ecotoxicologia, a estudante faz testes toxicológicos com organismos específicos para avaliar a toxicidade de substâncias na água. “Consegui unir as pesquisas dos dois laboratórios, proporcionando uma visão mais completa da saúde ambiental dos rios que estudamos”, conta com orgulho.

Quando entrou na Universidade, em 2021, mergulhou de cabeça e encarou as responsabilidades de fazer parte do centro acadêmico. Naquele ano de pandemia de Covid-19, ainda vivia-se a realidade com máscaras e distanciamento, mas fez o melhor que podia. Foi tão bem que terminou sua gestão na presidência. 

Em seguida, pulou para atividades extensionistas, momento em que teve certeza do poder que sua graduação tem para mudar o mundo e o quanto poderia contribuir com isso. Na extensão, devolveu ao público o que ganhou (e ainda ganha) como universitária, o conhecimento, mas de forma democrática, acessível para todos. Ali, entendeu melhor sobre a utilização de políticas públicas para preservar o meio ambiente. 

“Quase zerei o ramo das possibilidades”, ela brinca. Hoje, orientada pela professora Renata Ruaro, do Departamento de Química e Biologia da UTFPR (DAQBI), e por quem a estudante tem grande admiração, Mariana consegue aplicar sua paixão pela área aquática e biológica em um projeto que a ensina diariamente. “Eu sempre gostei muito de meio ambiente, de qualquer coisa relacionada à políticas públicas voltadas ao meio ambiente, sempre vi muita importância nisso”. 

Para a universitária, participar de coletas e análises a fez perceber a importância do seu trabalho. Por meio dele, a estudante consegue, por exemplo, identificar pontos com alta concentração de matéria orgânica, o que pode indicar poluição por esgoto. “Isso é essencial para a gestão ambiental e para a melhoria das condições dos rios, que são fundamentais tanto para o abastecimento de água quanto para o tratamento de esgoto”, explica. 

Além disso, a iniciação científica rendeu à estudante momentos que guarda com carinho. Sua primeira coleta para análise em laboratório, o primeiro passeio de barco até o local da pesquisa e até esta entrevista. Ela conta que é uma pessoa simples, que pequenas felicidades como essas são, ao seu ver, grandes conquistas. 

Esses momentos, aliás, não ficaram apenas na memória. A aluna guarda na galeria do celular várias fotografias que tirou de espécies que gosta e não consegue escolher uma favorita. “É incrível como a vida sempre acha uma forma, sabe? Um meio de existir”, reflete. Sim, é realmente espetacular, mas vou além: Mariana, você também é incrível. Aos 21 anos, parece carregar a sabedoria de alguém que já viveu muito, além de uma certeza inabalável sobre suas paixões, metas e objetivos. Isso fica cada vez mais claro no decorrer da nossa conversa, especialmente quando ela conta sobre seus planos para o mestrado (e ainda nem fez o Trabalho de Conclusão de Curso). 

“Tenho planos de seguir diretamente para o mestrado após a graduação. Já estou me preparando para isso e estou ansiosa para continuar contribuindo para a área. A pesquisa me permite sair do laboratório e ver a aplicação real do nosso trabalho, o que é extremamente gratificante”, compartilha a estudante.

Talvez, toda a sua vivência na UTFPR, se arriscando em várias frentes, tenha tornado a estudante uma pessoa comprometida e dedicada. Mas, sinceramente, penso que Mariana já nasceu assim, só encontrou na universidade o meio ideal para existir, como a macrofauna que adora.  

“Espero que minha história inspire outras mulheres a entrar na pesquisa. É uma área vasta, cheia de oportunidades e com um impacto muito real na vida das pessoas e na saúde do nosso planeta. Sou apaixonada pelo que faço e acredito que a ciência e a sustentabilidade precisam de mais mulheres dedicadas e apaixonadas”.  

Texto: Francielle Lacerda (supervisionada por Aline Nunes).











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