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Inteligência artificial e aprendizado de máquina são usados para o mapeamento de carbono do solo do Brasil

Inteligência artificial e aprendizado de máquina são usados para o mapeamento de carbono do solo do Brasil

Publicado 7/10/2025, 12:59:33 PM, última modificação 7/10/2025, 2:40:19 PM
Docentes da UTFPR apresentaram ao mundo, em simpósio internacional, o mais avançado sistema de mapeamento de carbono do solo do Brasil

Alessandro Samuel-Rosa (UTFPR Santa Helena) e Taciara Zborowski Horst (UTFPR Dois Vizinhos) apresentam trabalho no Simpósio Latino-Americano e Caribenho de Carbono Orgânico do Solo (LAC Soil Carbon).

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) marcou presença de forma proeminente no recém-concluído e inédito Simpósio Latino-Americano e Caribenho de Carbono Orgânico do Solo (LAC Soil Carbon), realizado entre os dias 25 e 28 de junho no icônico Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Os professores Alessandro Samuel-Rosa (UTFPR Santa Helena) e Taciara Zborowski Horst (UTFPR Dois Vizinhos), do Laboratório de Pedometria da universidade, participaram como palestrantes convidados, compartilhando suas pesquisas de vanguarda com uma audiência global de cientistas, formuladores de políticas públicas e representantes do setor agrícola.

O simpósio, primeiro de sua natureza no país, reuniu os maiores especialistas do mundo para debater o papel vital do carbono orgânico do solo na segurança alimentar, na sustentabilidade da produção agrícola e no combate às mudanças climáticas. A participação dos docentes da UTFPR neste fórum de alto nível sublinha a liderança e a excelência da universidade em áreas de pesquisa que são cruciais para o futuro do planeta.

Professores da UTFPR e demais participantes do painel participam do painel “Soil carbon measuring, monitoring, reporting and verification (MMRV)".

Em sua palestra "Usando Inteligência Artificial para Combinar Bases de Dados para o Monitoramento de Carbono Orgânico do Solo", o professor Alessandro Samuel-Rosa abordou um dos maiores desafios da ciência do solo: a vasta quantidade de dados valiosos "presos" em documentos antigos, como teses e relatórios. Ele apresentou como a Inteligência Artificial (IA) está sendo usada para "resgatar" esses dados de forma automatizada, um trabalho meticuloso que forma a espinha dorsal do SoilData, um repositório público que já conta com mais de 30.000 amostras de solo de todo o Brasil.

"Como não podemos voltar no tempo para coletar amostras novamente, a IA nos dá o poder de 'resgatar' essa história", explicou o professor Samuel-Rosa. "Estamos ensinando os computadores a ler e a entender esses documentos, o que nos permite não só construir o banco de dados sobre solos mais completo do país, mas também usar a IA para preencher lacunas, otimizar futuras coletas e garantir a qualidade dos dados, o que é essencial para a sustentabilidade agrícola e para o clima."

A apresentação da professora Taciara Zborowski Horst, intitulada "A Iniciativa MapBiomas: Mapeando o Estoque de Carbono do Solo no Brasil", demonstrou o resultado prático e a escala monumental deste trabalho. Ela apresentou o MapBiomas Solo, uma frente de trabalho dentro da renomada rede MapBiomas, que utiliza os dados do SoilData para gerar mapas anuais de alta resolução do estoque de carbono nos primeiros 30 centímetros do solo, cobrindo todo o Brasil de 1985 até hoje. A metodologia combina os dados de campo com dados ambientais e de satélite através de modelos de machine learning, em um processo transparente e reproduzível.

"É impossível gerenciar de forma eficaz aquilo que não conseguimos medir. O projeto MapBiomas Solo oferece ao Brasil, pela primeira vez, um 'raio-x' detalhado e dinâmico dos nossos estoques de carbono no solo ao longo de quase quatro décadas", comentou a professora Taciara. "Destacamos que os solos brasileiros armazenam aproximadamente 37 gigatoneladas de carbono, e agora podemos visualizar onde esse carbono está, como ele muda com o uso da terra e identificar áreas críticas para conservação e agricultura sustentável. Isso é um testemunho do poder da ciência aberta e colaborativa, e fornece uma ferramenta essencial para o Brasil atingir suas metas climáticas e de segurança alimentar."

A presença da UTFPR no palco principal de um evento tão significativo, com duas palestras que se conectam e demonstram uma solução completa – da recuperação de dados com IA à geração de mapas de impacto global –, não apenas valida a qualidade da pesquisa realizada na instituição, mas também abre portas para novas colaborações internacionais. As contribuições dos professores Alessandro Samuel-Rosa e Taciara Zborowski Horst reafirmam o compromisso da universidade com a geração de conhecimento aplicado e a busca por soluções para os maiores desafios globais da atualidade.












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