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Pesquisa avalia resistência ao frio de macieiras devido às mudanças climáticas

Pesquisa avalia resistência ao frio de macieiras devido às mudanças climáticas

Publicado 7/24/2024, 7:33:43 AM, última modificação 7/26/2024, 7:30:12 AM
Estudo inédito quer compreender como espécies diferentes demonstram resistência a baixas temperaturas

Foto: Freepik

Um estudo inédito de pesquisadores do Campus Pato Branco busca compreender como as mudanças climáticas afetam a resistência ao frio de espécies de macieiras. Durante cinco anos, os pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PPGAG), Rafael Henrique Pertille, Laise de Souza de Oliveira e Adriano Suchoronczek, orientados pelo professor Idemir Citadin, investigaram a dinâmica da dormência e a resistência ao frio de três cultivares: Eva, Galaxy e Fuji Suprema. As pesquisas foram feitas em dois locais com diferentes níveis de acúmulo de frio, ou seja, em condições de inverno ameno, situação real e não simulada, como é feita em países mais frios.

Os pomares utilizados para a pesquisa são do município de Palmas. Para os pesquisadores, em fruteiras temperadas, o clima é o principal fator correlacionador das mudanças na fisiologia da planta, principalmente aquelas relacionadas à entrada e saída da dormência e à resistência ao frio. “A aclimatação ao frio e sua relação com a dormência ainda são desconhecidas em áreas de clima subtropical”, afirmam.

A dinâmica da dormência foi analisada pelo teste de estacas de gema única, e a resistência ao frio dos diferentes tecidos de cada genótipo foi avaliada por meio do vazamento de eletrólitos em testes de congelamento em laboratório.

Segundo o texto do artigo, as cultivares Gala e Fuji apresentaram maior profundidade de dormência que Eva. “Plantas cultivadas em pomares com maior acúmulo de frio apresentaram maior profundidade de dormência. A resistência ao frio variou entre as cultivares, com a cultivar Eva tendo a menor resistência ao frio no meio do inverno. Os tecidos (gema, casca e lenho) tiveram resistência ao frio diferente no início do inverno, com o lenho tendo a maior resistência ao frio, seguida pela gema e casca”.

Como Eva não entrou em dormência profunda, os pesquisadores observaram uma aclimatação superficial e curta ao frio, além de rápida brotação, mesmo no inverno. Essa condição a predispôs a danos causados ​​pelo frio aos tecidos no período de pré-brotação.

Os resultados estão publicados em um artigo na revista Scientia Horticulturae e revelaram que as plantas cultivadas em áreas com maior acúmulo de frio entraram em dormência mais profunda.

“A pesquisa mostrou ainda que a resistência máxima ao frio ocorre após o término da fase de endodormência e que a desaclimatação de todas as cultivares ocorreu muito rapidamente, devido à reidratação rápida dos tecidos após a dormência. Foi constatado também que a resistência ao frio variou entre as cultivares, destacando-se a cultivar Eva, que apresentou a menor resistência ao frio no meio do inverno”, explicam os pesquisadores.

Portanto, o estudo mostra que a dormência e a resistência ao frio da macieira em regiões de inverno ameno são bastante distintas daquelas relatadas em regiões temperadas típicas, como nos EUA e na Europa, oferecendo uma nova interpretação da adaptação dessa espécie frente às mudanças climáticas em curso.

“A preocupação atual da pesquisa é compreender como as mudanças climáticas afetam a resistência ao frio dessas espécies”, afirma o professor Idemir Citadin.

“As mudanças climáticas, notadamente o aquecimento global, fará com que a haja migração das zonas de produção atuais para zonas de maior altitude. Nestes locais há riscos de ocorrência de geadas primaveris, que são potencialmente prejudiciais. Outra estratégia é obter cultivares de baixa necessidade de frio, para cultivo em regiões mais quentes. No entanto, essa estratégia reduz a profundidade de dormência e a resistência ao frio das cultivares de baixa necessidade de frio, como ficou demonstrado na cultivar Eva”, completa Citadin.

Com informações da Ascom-PB

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