Pesquisa reaproveita hidrogênio residual para transformá-lo em energia

Uma parceria entre a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade de São Paulo (USP) e a empresa Hidrogeron, de Arapongas, usará o hidrogênio residual dos processos da empresa para produção de energia. A empresa trabalha com soluções em cloração de alta performance e estes processos geram hidrogênio como resíduo. Após um projeto do professor do Campus Apucarana , Murilo Moisés, junto à empresa, o hidrogênio passou a ser descartado na atmosfera, de maneira segura. E, ao longo das pesquisas, o pesquisador sugeriu também que fosse feito o aproveitamento desse hidrogênio gerado.
Durante o processo de cloração, a eletrólise da água salgada gera gás cloro, hidróxido de sódio e pequenas quantidades de hidrogênio. Atualmente, o hidrogênio é dissipado de forma segura, por ventilação, conforme exigem as normas de operação. Além disso, com a atuação da UTFPR, este subproduto se transformará em fonte de energia.
Segundo o pesquisador Murilo Moisés, a proposta é captar o gás gerado pelos sistemas da Hidrogeron e convertê-lo em eletricidade, deixando o ciclo mais sustentável e agregando valor ao produto. Como diferencial, a iniciativa combina eficiência ambiental e inovação tecnológica, e pode abrir caminho para outros avanços de geração de energia limpa no país.
O professor também ressalta que um dos norteadores das pesquisas é justamente atender às demandas de mercado com soluções que sejam inovadoras. O produto que seria descartado, além de gerar retorno econômico, também atente às demandas ambientais. De acordo com Murilo Moisés, o projeto une sustentabilidade com avanço tecnológico.
“Integrar a universidade com o setor produtivo e ter soluções reais são um desafio para os pesquisadores. Utilizar o hidrogênio para produção de energia, além de ser mais sustentável, também garante melhor desempenho para o mercado”, destacou.
O potencial visto pela UTFPR também foi observado, no ano passado, por pesquisadores da USP. Neste sentido, a Hidrogenon junto com as duas universidades, submeteu o projeto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e foi contemplado.
O projeto recebeu um aporte de R$ 13 milhões da Finep, valor que representa 70% do projeto, restando 30% para a empresa.
A equipe de trabalho é composta, além do professor Murilo Moisés, pelos pesquisadores da UTFPR Fernando Alves (engenharia química) e Fabrício Maesta Bezerra (engenharia têxtil), bem como por pesquisadores da USP.
O edital da Finep prevê prazo de execução de 24 meses, cujo início das atividades ocorreu em setembro.
