Extensão

Publicado 6/15/2020, 7:38:09 PM, última modificação 11/3/2022, 5:39:04 PM
UTFPR e IFPR apresentam protótipo do VENT.U2 - Ventilador Pulmonar, desenvolvido a um custo médio de R$ 5 mil

O final do ano de 2019 e o ano de 2020, certamente ficarão marcados na história de todo o mundo com as informações relacionadas à pandemia do Coronavírus, que chegou assolando a realidade da humanidade de forma relativamente repentina. No Brasil, mais especificamente a partir do início de março deste ano, os primeiros registros de casos confirmados de COVID-19, trouxeram ainda mais à tona a pauta relacionada à escassez de recursos e equipamentos no SUS (Sistema Único de Saúde) no País afora. Os dados veiculados pela mídia e fontes de informação oficiais como do próprio Ministério da Saúde, revelaram que cerca de 60% dos municípios brasileiros – nos quais vivem 33,3 milhões de pessoas – não têm respirador disponível em suas unidades de saúde. Essa carência se concentra, em grande parte, nas regiões Norte e Nordeste. Em referência ao Sudoeste Paranaense, composto por 42 municípios, por exemplo, existe apenas quatro respiradores para 12 desses Municípios.

A realidade impactante e a iminência de risco a que toda a população está exposta, desencadeou inúmeras iniciativas, por parte da UTFPR, no intuito de amenizar os impactos decorrentes da pandemia. As ações em andamento se consolidam com as diretrizes da Universidade que atua no tripé, Ensino, Pesquisa e Extensão.

Entre as propostas desenvolvidas surgiu a ideia de professores da UTFPR, Câmpus Curitiba e Pato Branco, juntamente com outro professor do Instituto Federal do Paraná, de Campo Largo, de desenvolver um Ventilador Pulmonar de Baixo Custo (comparado aos modelos comerciais do mercado). Desde as primeiras conversas sobre a possibilidade de projetar e desenvolver o protótipo, a intenção foi ganhando força e forma e novos integrantes foram se somando ao projeto. Em menos de três meses, a equipe multidisciplinar que envolveu pesquisadores das áreas de Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia Eletrônica, Engenharia de Computação, Design e Física, se empenhou diuturnamente, em caráter voluntário, realizando as reuniões a distância, desenvolvimento dos trabalhos predominantemente em formato home office, também priorizando as medidas de segurança.

Na tarde do último dia 10 de junho, os professores do Câmpus Pato Branco envolvidos na execução e montagem, representando toda a equipe envolvida, apresentaram o protótipo nominado de Vent.U2à comunidade, em evento realizado na sala de reuniões da UTFPR, com a presença da Direção-Geral e de Graduação e Educação Profissional do Câmpus, profissionais da área de saúde e da imprensa de Pato Branco. Além da apresentação do equipamento e as respectivas funcionalidades, os professores realizaram demonstração de uso e esclareceram os questionamentos dos participantes.

O equipamento foi desenvolvido com o propósito de atender às condições necessárias de ventilação para pacientes em quadro grave de COVID-19, a um custo total aproximado de R$ 5 mil, e utilizando peças de fácil acesso no mercado nacional. Dentre as especificações, o Vent.U2 é capaz de ciclar no modo de pressão controlada proporcionando ventilação mandatória e espontânea. O equipamento também é capaz de controlar a quantidade de oxigênio na mistura de entrada e proporcionar PEEP (Pressão positiva no final da expiração). Possui sistema de segurança para evitar pressões acima de 40 cmH2O, ajustes de pressão, quantidade de oxigênio, PEEP, tempo de inspiração, número de ciclos por minuto e sensibilidade, além de uma série de alarmes. Possui tela sensível ao toque para realização de ajustes e visualização dos dados, além de apresentação de gráficos de pressão, fluxo e volume por tempo.

A diretora da Unidade de Pronto Atendimento - 24 Horas (UPA), de Pato Branco, Marta Lemes de Souza, que prestigiou o evento representando a Secretária Municipal de Saúde, Marcia Kozelinski, parabenizou a equipe e declarou: “Tecnologia em funcionamento. Realmente formidável, a um custo baixíssimo de produção pelos dados que levantei aqui. Brasileiro produzindo tecnologia de ponta. Parabéns!”.

Na oportunidade, o médico anestesista e diretor técnico do Hospital Thereza Mussi, doutor Evandro Bellotto, que colaborou com o projeto emprestando alguns equipamentos, declarou-se surpreendido. “Estou bem impressionado com a qualidade do protótipo, na verdade não esperava menos, dada a capacidade da equipe que se propôs a desenvolvê-lo”, declarou. Em relação à viabilidade e aplicabilidade do aparelho, em uma primeira avaliação técnica ele é de opinião que, “o formato que o equipamento está proposto, tem potencial imediato”. No entanto, destacou: “Ainda demanda alguns ajustes finos, mas como a gente vive uma medicina de guerra não precisa muito mais ajustes, em uma situação emergencial. Teria, apenas, de realizar mais alguns testes, mas o aparelho, a princípio, já poderia ser usado, com grande potencial de eficiência”, destacou.

Outra avaliação positiva do aparelho foi concedida pelo médico cardiologista e intensivista, plantonista da UPA e Diretor Clínico do Município de Pato Branco, doutor Gilberto José Lago Almeida. “Fiquei surpreso. Nós esperávamos algo menor, mas é uma máquina muito boa, muito bem projetada, de baixo custo, que nos dá todos os parâmetros necessários para a ventilação. A mensagem maior que o projeto nos deixa é o que o Brasil tem iniciativa. Uma iniciativa de pensamento e atitude brasileira que pode e é disponível. Nós ficamos maravilhados com o que vimos aqui”, externou. Do ponto de vista de execução e parâmetros o médico destacou considerações. “Atenderia todo parâmetro básico, evitando especialmente a dispersão de aerossóis como acontece com as ventilações manuais e nos daria a chance de salvar vidas”, concluiu.

Participou também do evento, o médico intensivista e coordenador do SAMU, de Pato Branco, doutor William Halderied. “Estou muito contente com o trabalho da equipe. Achei o projeto inovador e isso mostra o quanto somos capazes de realizar inovação através da educação, estudo e tecnologia. Isso vem ao encontro do que a gente precisa nesse momento, que a gente está passando na pandemia”, pontuou. O doutor William comentou a demanda de ventiladores, evidenciada na rotina de trabalho e o fator positivo do baixo custo. “Precisamos de suporte ventilatório para a região. Aqui no sudoeste a maioria dos nossos 42 municípios não dispõem de suporte respiratório adequado para os pacientes. Então, essa solução apresentada, vem ao encontro da necessidade. O baixo custo que nesse momento é o mais importante, pois é um momento complicado, difícil, em relação à situação econômica”, destacou. Por isso “é muito importante proporcionar esse suporte ventilatório com um baixo custo e ainda com qualidade. Acredito que as inovações devem vir nesse intuito, de melhoria na saúde, no atendimento dos pacientes usuários do SUS e da população em geral”, considerou. Na análise do doutor William, outro aspecto que agrega valor é concretizar projetos dessa natureza com iniciativas locais. “A gente precisa, não só agora, mas também no pós-pandemia cada vez mais oferecer um suporte adequado para a população com um aparelho de baixo custo com tecnologia nossa, do nosso trabalho, trabalho das nossas equipes”, complementou.

Para o coordenador local do projeto, professor Ricardo Bernardi, do departamento acadêmico de Engenharia Elétrica (DAELE), “chegar nessa etapa é mostrar para a sociedade que o papel da Universidade vai além do ensino. Que a Universidade está comprometida com seu papel social. É mostrar que o trabalho do professor vai além da sala de aula. Que ele dedica seu tempo incansavelmente em prol da melhoria do bem estar futuro da sociedade. É acreditar no futuro do Brasil. É acreditar e apostar que o Brasil tem jeito!”.

O trâmite agora, é o encaminhamento da proposta à instância legal (Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa) para a homologação. Uma vez aprovado o projeto, na sequência, será disponibilizado para as indústrias produzirem, sem cobranças de royalties. A equipe estima que o custo de produção será um pouco acima de R$ 5 mil, por isso o valor final estimado não deve custar mais de R$ 10 mil a unidade.

Equipe responsável por projetar e desenvolver o Vent.U2:

Câmpus Curitiba:

- Prof. Dr. Luciano Zart Olanyk (DAMEC-CT) – Coordenador; Profa. Dra. Eunice Liu (DADIN-CT) - Coordenadora; Prof. Dr. Alisson Martins (COFIS-CT) - Coordenador, Prof. Dr. Celso Salamon (DAMEC-CT), Prof. Dr. Bertoldo Schneider Junior (DAELN-CT), Prof. Dr. Bolívar Teston de Escobar (DADIN-CT), Profa. Dra. Christiane Maria Ogg Nascimento Gonçalves Costa (DADIN-CT), Prof. Dr. Fábio Schneider (DAELN-CT), Profa. Dra. Juliane de Bassi Padilha(DADIN-CT), e o servidor Técnico-Administrativo, Alessandro Ellenberger.

Câmpus Pato Branco:

- Prof. Dr. Ricardo Bernardi (DAELE-PB) – Coordenador local; Prof. Dr. Cesar Rafael Claure Torrico (DAELE-PB), Prof. Dr. Diego Rizzoto Rossetto (COEME-PB), Prof. Dr. Diogo Ribeiro Vargas (DAELE-PB), Prof. Dr. Everton Luiz de Aguiar (DAELE-PB), Prof. Dr. Fábio Luiz Bertotti (DAELE-PB), Prof. Dr. Gustavo Weber Denardin (PPGEE-PB), Prof. Dr. Jean Patric da Costa (DAELE-PB), e o servidor Técnico-Administrativo, Célio Degaraes. A equipe é integrada, também, pelo egresso do Curso de Sistemas de Informação, Cleiton Migliorini, atualmente professor da UNISEP - Câmpus Francisco Beltrão.

Instituto Federal de Campo Largo (PR):

- Prof. Dr. Marcos Hara (IFPR) – Coordenador.