Extensão

Publicado 6/12/2020, 2:51:03 PM, última modificação 11/3/2022, 5:39:03 PM
Doação de 1.800 protetores faciais impressos em 3D contempla profissionais da área de saúde de 42 instituições e 10 municípios

Atuar no tripé, ensino, pesquisa e extensão, é desafio contínuo da UTFPR. Com essa premissa, no início do mês de março, a partir das notícias que se intensificavam diariamente, relacionadas à pandemia, causada pela Covid-19, e a escassez de inúmeros equipamentos de proteção individual (EPI´s), destinados a proteger os profissionais de serviços essenciais durante o enfrentamento ao novo coronavírus, professores voluntários, da UTFPR, Câmpus Pato Branco, iniciaram prontamente um projeto de extensão com o objetivo de confeccionar protetores faciais reutilizáveis e doá-los às instituições de saúde de Pato Branco e região.

Na última terça-feira, 09 de junho, o grupo concluiu os trabalhos de impressão em 3D, montagem e distribuição de 1.800 unidades desses protetores faciais. Desse montante, a UTFPR imprimiu 1.384 unidades e as demais foram impressas pelas empresas e parceiros do projeto. Atendendo às necessidades apresentadas por algumas entidades e profissionais, foram confeccionados modelos variados de protetores, sendo: Prusa Slim (1.028 unidades), Higia (399 unidades), Prusa-RC2/RC3 (287 unidades), Faceshield BR (50 unidades), Jailton (29 unidades), e CK_Covid (7 unidades). Os suportes dos protetores foram impressos com filamento de plástico de poliácido láctico, conhecido como PLA e as viseiras montadas com material acetato, recortados manualmente, além de um elástico que serve para fixá-la na cabeça.

A finalidade dos protetores é criar uma barreira física, evitando que a saliva seja arremessada ao tossir, falar ou espirrar. Esse equipamento de proteção individual (EPI) é utilizado para proteção de olhos e boca e cria uma barreira mecânica, reforçando a prevenção do contágio de doenças respiratórias, em especial do coronavírus. Este formato de máscara não é descartável e deve ser higienizada com água e detergente neutro ou álcool 70%, antes e depois de ser usada.

O grupo de trabalho contou com vários integrantes e foram mais de três meses de envolvimento ininterrupto de professores, com apoio de servidores, alunos, profissionais liberais e da sociedade. O trabalho de supervisão de impressão, acabamentos, recortes de materiais, montagem e distribuição, foi realizado voluntariamente pelos envolvidos. Conforme relatado pela equipe, o tempo dedicado para imprimir e montar uma unidade, em média, levou duas horas. A coordenação geral do projeto foi do professor do departamento acadêmico de Informática (Dainf), do Câmpus Pato Branco, Fábio Favarim, e a articulação dos trabalhos do grupo e dinâmicas de distribuição foram realizados pela profissional executiva, Lilian Dal Bello, do Instituto Regional de Desenvolvimento Econômico e Social (Irdes).

Desde o início do projeto, ocorreram várias etapas de distribuição dos protetores às instituições e/ou profissionais da área de saúde, contemplando 42 entidades (Secretarias Municipais de Saúde, UPAS, Hospitais, Clínicas, Grupo de Apoio a Mama (Gama), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Vigilância Sanitária, Prefeituras, Justiça Federal, Polícia Rodoviária Estadual, Lar dos Idosos, Assistência Social, empresas e instituições de ensino), e outros 65 profissionais liberais da área de saúde, abrangendo 10 municípios, sendo oito do Sudoeste do Paraná: (Clevelândia, Chopinzinho, Coronel Vivida, Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, Pato Branco, São João e Vitorino) e dois do Oeste de Santa Catarina (Galvão e São Lourenço do Oeste).

O coordenador explica que, inicialmente, os trabalhos foram realizados com os equipamentos e insumos disponíveis na UTFPR, mas também com recursos próprios e, na sequência, com parcerias firmadas com empresas e insumos doados. A impressão das 1.800 unidades foram executadas com várias impressoras. Ele relata que, em função da dinâmica da impressão 3D, que demanda supervisão constante, necessitou instalar três das impressoras em sua própria residência, sendo uma da UTFPR, outra cedida pela Fiep e mais uma impressora adquirida com recursos de uma vaquinha entre amigos, a maioria professores da UTFPR, a qual será doada à Universidade. Com o mesmo objetivo e formato de trabalho, outras duas impressoras foram instaladas na residência do professor do Dainf, Vinícius Pegorini e o servidor técnico-administrativo Gustavo Arcari, contribuiu com o projeto utilizando sua própria impressora. Outras unidades de impressão se somaram aos trabalhos: Parque Tecnológico, Tesserato, Compre3D e Adizell.

Favarim explicou que, “embora parte dos insumos foi disponibilizado inicialmente pela UTFPR o apoio e parcerias firmadas com outras empresas para obtenção de matéria-prima assegurou a continuidade e a ampliação dos trabalhos e oportunizou atender às demandas de protetores solicitadas”, declarou. Neste sentido, “foi fundamental a doação de 59 quilos de filamento pela Atlas Eletrodomésticos/Irdes e todo o acetato utilizado, doado pela Empresa Inplasul Embalagens”, relatou.

Chegar nessa etapa, para o coordenador, é sinônimo de orgulho e satisfação, por cumprir com as diretrizes institucionais, mas, também pelo que agregou ao grupo e o fortalecimento das parcerias. “Podemos concluir que o esforço coletivo, é fundamental em ações desse gênero, uma vez que nos aproximamos enquanto parceiros e, acima de tudo, podemos ver se consolidar e prevalecer o interesse comum em zelar pelo bem-estar, segurança e preservação da saúde e da vida”, concluiu.

O envolvimento na iniciativa, para a acadêmica de Engenharia Mecânica, do Câmpus Pato Branco, Rafaela Rossato Pires, o sentimento é de gratidão. “Fiquei muito grata em poder ajudar as pessoas que precisam. É muito bom poder retribuirmos para a sociedade o que ela espera da gente como estudantes da universidade pública”, revelou. Conforme ela declarou anteriormente em outra entrevista a intenção é, “fazer o bem sem olhar a quem!”. A acadêmica destacou, ainda, que auxiliar nas atividades oportunizou a ela “aprender várias coisas e, principalmente, poder observar além da minha realidade”, complementou.

O relato da experiência para a acadêmica de Arquitetura da Faculdade Mater Dei, Ana Alice Michelin, superou suas expectativas. “É muito gratificante saber que a gente pode estar ajudando as pessoas que estão na linha de frente a se protegerem melhor. Saber que elas se sentirão mais protegidas em decorrência do nosso trabalho não pensei que seria tão gratificante como está sendo”, declarou.

O desafio de produzir e distribuir gratuitamente os protetores faciais de segurança se concretizou com o empenho de agentes representantes das Instituições e Empresas: Adilson Lima de Paula (Adizell), Alberto Andretta (Tesserato), Ana Alice Michelin (Mater Dei), Augusto Fagundes (Compre3D), Caroline Domingos Mezzalira (Arquiteta e Urbanista), Cézar Augusto Mezzalira, Cláudio Petrycoski (Irdes/Atlas Eletrodomésticos), Karla Andreane Holub (Aceleradora Fiep), Karise Dagios (Inplasul), Douglas Henrique Batista (Parque Tecnológico), Fábio Favarim (UTFPR), Gabriela Zanela Spricigo (Mater Dei), Gustavo Arcari (UTFPR), José Luiz Lanzari (Adizell), Lilian Dal Bello (IRDES), Rafael Henrique Mezzalira (Compre 3D), Rafaela Rossato Pires (UTFPR), Suzana Rizzi (Atelier Suzana Rizzi), Marília Santos de Almeida (UTFPR), Neimar Follmann (UTFPR), Vinicius Pegorini (UTFPR), Anne Gomes da Silva Cavali (Secretaria Municipal de Assistência Social), Geri Dutra (Secretaria de Ciência Tecnologia e Inovação), e Augustinho Zucchi (Prefeito Municipal).

Esta ação de extensão se soma a mais outras 21 ações voluntárias em execução no Câmpus Pato Branco para auxiliar no enfrentamento à pandemia e a outras que ainda podem vir a ser desenvolvidas com essa mesma finalidade.

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