Audiência pública discute futuro das Universidades Federais

Uma audiência pública realizada no dia 2 de outubro, no auditório da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Campus Ponta Grossa , reuniu autoridades, representantes de entidades e comunidade acadêmica para debater os desafios e perspectivas das instituições públicas de ensino superior. O encontro foi promovido pela Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Públicas, da Câmara dos Deputados, sob coordenação do deputado federal Tadeu Veneri (PT).
A atividade contou com a presença do reitor da UTFPR, Everton Lozano, do diretor-geral do Campus Ponta Grossa , Abel Azeredo, diretores de outros campi do sistema UTFPR, representantes do IFPR e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), além de representantes de sindicatos, professores, servidores e estudantes.
Entre os principais temas discutidos estiveram a reposição de vagas de professores da carreira EBTT, o projeto de criação de novas universidades tecnológicas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, e o recente Acórdão nº 5209/2025 do Tribunal de Contas da União (TCU), que trata da regularização das atividades docentes na UTFPR.
O diretor-geral do Campus Ponta Grossa , Abel Dionizio de Azeredo, destacou o impacto da universidade na vida da comunidade e no desenvolvimento econômico regional. Ele ressaltou que a presença da UTFPR tem atraído empresas para se instalar no município, motivadas não apenas pela logística local, mas principalmente pela formação de profissionais qualificados oriundos da educação pública, sobretudo em cursos tecnológicos. “Além do impacto social, há também um impacto econômico muito grande quando essas empresas escolhem Ponta Grossa para investir”, afirmou.
Já o reitor da UTFPR, Everton Lozano, chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelas universidades tecnológicas brasileiras diante da falta de investimentos e de políticas específicas. Em sua fala, fez um comparativo com a realidade internacional, destacando que a China possui cerca de 1.500 universidades tecnológicas que formam mais de um milhão de engenheiros e profissionais de tecnologia por ano, enquanto o Brasil não alcança a marca de 100 mil formandos. Ele alertou para a queda na reposição de docentes, sobretudo da carreira EBTT, o que pode no futuro comprometido a manutenção de cursos e programas de pós-graduação, destacando também para a proporcinalidade de técnicos administrativos, afirmando que o quadro funcional da universidade está muito abaixo do que preconiza a média nacional definida pelo Ministério da Educação (MEC).
O deputado Tadeu Veneri, que coordena a Frente Parlamentar, enfatizou a importância de ouvir diretamente as comunidades acadêmicas para reunir diagnósticos e encaminhar soluções conjuntas ao Congresso Nacional e ao Governo Federal. Segundo ele, as universidades e institutos federais têm necessidades comuns e carecem de maior articulação para que seus pleitos sejam atendidos. Veneri também destacou a relevância das emendas coletivas, que poderiam garantir recursos mais expressivos e duradouros às instituições, fortalecendo ensino, pesquisa e extensão. “Nosso papel é dar visibilidade ao que a universidade produz. Muitas vezes, a sociedade vê apenas o custo orçamentário, sem perceber o retorno que essas instituições trazem em pesquisa, inovação e formação profissional”, avaliou.
Para os participantes, a audiência pública representou um espaço importante de diálogo e mobilização em defesa da universidade pública. Professores, servidores, estudantes e lideranças puderam expor suas preocupações e apontar caminhos para enfrentar os desafios que ameaçam o ensino superior no Brasil.
