Campus Ponta Grossa doa modelo tátil de célula animal para a APADEVI

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – Campus Ponta Grossa realizou, no dia 19 de novembro de 2025, a entrega oficial de um modelo tátil de célula animal adaptado para pessoas cegas à Associação dos Pais e Amigos do Deficiente Visual (APADEVI). A cerimônia ocorreu na Sala de Treinamentos da DIREC e foi seguida por uma visita guiada pelo campus. A iniciativa foi desenvolvida pelos alunos da disciplina de Projeto Interdisciplinar I: Tecnologias Sociais e Sustentáveis, com apoio do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) e do projeto de extensão Estação 3D.
A proposta surgiu a partir das atividades desenvolvidas na disciplina e do contato da acadêmica Luiza Godoy, do 1º período de Licenciatura em Ciências Biológicas, com a APADEVI e seus companheiros de grupo na disciplina Projeto Interdisciplinar I, Carlos Vinícius, João Lucas, Kamily e Victor.
O Estação 3D, em parceria com o NAI, doou integralmente os materiais e o tempo de impressão — mais de 60 horas de trabalho. A responsabilidade técnica do projeto ficou a cargo do aluno Lucas Matsuo Antunes, do 6º período de Engenharia Química e bolsista do Estação 3D, que selecionou o modelo, realizou adaptações e imprimiu todas as peças em cores diferentes, permitindo o uso conjunto por pessoas cegas e videntes. Lucas também confeccionou duas placas de legenda para identificar as organelas celulares: uma em escrita convencional e outra totalmente em Braille.
A iniciativa atende a uma demanda urgente, pois a escassez de materiais táteis acessíveis em áreas como Biologia ainda representa um desafio significativo para pessoas com deficiência visual. A doação marca um avanço tanto para a APADEVI, que passa a contar com um novo recurso pedagógico, quanto para o Estação 3D, que se consolida como pioneiro na UTFPR-PG no desenvolvimento de impressões 3D com Braille. Durante a cerimônia, os participantes cegos expressaram satisfação com a qualidade do modelo e contribuíram com sugestões para aprimoramentos futuros. Também surgiram novas ideias para a criação de materiais inclusivos em outras áreas do conhecimento, fortalecendo a colaboração entre a universidade e a comunidade.
Para a acadêmica Luiza Godoy, a ação reafirma o papel social da universidade. “A motivação nasceu da visão de que a universidade deve transpor as paredes da sala de aula e compartilhar o conhecimento e as ferramentas tecnológicas, inserindo no aprendizado acessível a possibilidade de conformidade com a deficiência imposta. A impressão 3D tornou possível transformar uma ideia em objeto real que facilita a vida e acrescenta conhecimento no cotidiano dessas pessoas. Ao tocarem as placas em braille e perceberem imediatamente o objeto, ficou nítido que a urgência de materiais didáticos inclusivos não é apenas uma questão de acessibilidade, mas uma necessidade ética e transformadora. Garantindo, assim, equidade de oportunidades para aprender, explorar e crescer, rompendo barreiras e abrindo caminhos para que essas pessoas, independentemente de suas limitações, possam contribuir com seu pleno potencial”, afirmou.
Lucas Matsuo Antunes destaca que o processo exigiu rigor técnico e sensibilidade. “Desde o contato inicial com a Luiza, identifiquei que a impressão da célula seria um desafio significativo. A dificuldade não estava apenas na complexidade técnica, algo habitual em nosso projeto, mas na necessidade de uma qualidade impecável. Por se tratar de um dispositivo de tecnologia assistiva, a tolerância a erros típicos da impressão 3D precisava ser drasticamente reduzida. Além disso, a confecção da placa em braile representou um obstáculo inédito em minha trajetória. Felizmente, sob a orientação do professor Matheus Postigo e com o apoio dos colegas, a produção foi um êxito. A entrega à APADEVI e a interação com os alunos na UTFPR podem ser definidas como gratificantes e impactantes. Gratificantes, pois validaram mais de 50 horas de trabalho, cumprindo o objetivo fundamental da extensão: levar o conhecimento da universidade para a sociedade e promover a inclusão. Impactantes, pois me confrontaram com a realidade de traduzir conceitos visuais habituais (como o funcionamento e as peças de uma impressora 3D) para uma experiência tátil e imaginativa. O feedback positivo dos alunos demonstrou que a comunicação foi eficaz, reforçando a importância de rompermos os muros da universidade para fazer a diferença na comunidade”, declarou.
A professora responsável pela disciplina de Projeto Interdisciplinar I, Natália Bueno, conta que ao longo do semestre os estudantes são orientados para que saibam como atuar em espaços de educação formal e não-formal e cada grupo pode escolher em qual comunidade desenvolver o seu trabalho pedagógico.
Segundo o professor Matheus Postigo, chefe do Departamento Acadêmico de Química (DAQUI-PG), ações como essa demonstram a potência do protagonismo estudantil e o impacto concreto da extensão universitária na promoção da inclusão. O modelo tátil de célula animal está disponível gratuitamente para download na plataforma Printables, para acessar CLIQUE AQUI.
