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Acadêmicos do curso de Agronomia da UTFPR-SH realizam oficina prática de extensão na Horta Natureza e Vida

Acadêmicos do curso de Agronomia da UTFPR-SH realizam oficina prática de extensão na Horta Natureza e Vida

Publicado 7/15/2025, 3:40:14 PM, última modificação 7/30/2025, 10:32:45 AM
A disciplina extensionista de Agroecologia, aliada ao projeto de extensão Vitrines Tecnológicas, promoveu uma interação e troca de experiências entre alunos e a produtora rural, a sra. Diomira da Silva, residente na linha Coroados.

No dia 05 de julho de 2025, os alunos da disciplina de Agroecologia e outros estudantes voluntários do curso de Agronomia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná Campus Santa Helena (UTFPR-SH) visitaram a Horta Natureza e Vida da sra. Diomira da Silva no período da tarde, de maneira que os conhecimentos adquiridos em sala de aula puderam ser observados na prática, com o objetivo de vivenciar de perto a realidade de uma produtora rural com certificação de produtos orgânicos (Selo SisOrg) em sua produção de hortaliças (olericultura). Durante a conversa, que foi acompanhada também pelo Vereador do Município de Santa Helena , Mauricio Luiz Weirich a sra. Diomira destacou suas dificuldades em produzir, mesmo possuindo todos os materiais necessários. A falta de mão de obra e problemas com o sistema de água da propriedade são alguns dos desafios enfrentados pela produtora no manejo necessário a essas culturas.

O trabalho se deu início após a chegada na propriedade com um bate papo cheio de histórias de vida, conhecimentos práticos abordados de forma descontraída. Após a conversa, todos se dirigiram à área cultivada, onde os alunos, coordenados pela sra. Diomira e acompanhados pela professora 
Ana Regina Dahlem Ziech, que organizou toda a visita, deram início ao plantio de mudas de cebolinha roxa (Allium cepa). Foram plantadas duas carreiras de sementes pelos alunos participantes, com orientação e dicas dadas pela produtora; um grande trabalho em equipe.

Aproveitando a oportunidade, o projeto de extensão de Vitrines Tecnológicas em Agroecologia, em parceria com a Itaipu Parquetec, utilizando os recursos do Horto Medicinal UTFPR, que produz mudas em suas instalações, colaborou com algumas espécies para implantação na Horta Natureza e Vida. A iniciativa consistiu ainda, a vitrine de Sistema Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) na doação de sementes de plantas de cobertura de verão para plantio e cultivo, com o objetivo de proteção e melhoria das características do solo, ampliando e acrescentando significativamente a biodiversidade local.

Abaixo, seguem os relatos de alguns alunos do curso de Agronomia da UTFPR Santa Helena que participaram da Oficina Prática de Extensão realizada na Horta Natureza e Vida:

De acordo com a acadêmica 
Luana Giroldo de Moraes, do 6° período do curso de Agronomia, “a atividade extensionista é uma importante parte da formação acadêmica, estar no campo, vivenciando o manejo orgânico dos produtores, nos permite entender seus métodos, desafios, adaptações necessárias e o impacto real. A agricultura orgânica não só preserva o solo, a água e a biodiversidade, como também favorece a saúde e autonomia econômica dos produtores, como podemos observar no caso da Sra. Diomira, a qual compartilhou histórias de sua família que a motivou dar início a produção de produtos orgânicos. Essa imersão nos oferece aprendizado prático e crítico, percebemos que a produção rural é cultura, identidade e sustento. Assim, a extensão não une apenas teoria e prática, mas fortalece comunidades, modos de vida e o futuro sustentável do campo o qual deveria ser mais incentivado e visto por toda a comunidade."

João Victor Aparecido da Silva Kaiser, 5° período, destaca a grande importância da visita à propriedade, pois dessa forma, tornou-se possível observar na prática tudo o que foi visto de forma teórica na universidade. “Ao chegar, logo observei uma grande quantidade de joaninhas no local, o que é muito interessante, pois esse inseto é capaz de fazer o controle biológico de outros insetos e pragas, facilitando assim o manejo das culturas. Percebi que a Sra. Diomira, além de cuidar muito bem de sua propriedade, com muita seriedade e dedicação, ela também se dedica muito aos estudos para aprimorar as suas práticas culturais. Segundo ela, seus filhos acabam ingerindo alimentos originados de agricultura convencional, pois, na cidade é quase impossível fugir disso, porém, quando alimentam-se em sua casa, ela faz questão de dar-lhes alimentos livres de agrotóxicos, o que acaba motivando-a, a continuar produzindo de forma orgânica. Outro motivo, são os exemplos que ela teve em sua casa, como o seu pai e sua mãe, que sofreram pelo uso de agrotóxicos. Como acadêmico, compreender a relevância dos alimentos orgânicos vai além do cultivo livre de agrotóxicos, trata-se de um compromisso com práticas agrícolas sustentáveis, com a preservação dos recursos naturais e com a saúde da população. A produção orgânica promove o equilíbrio ecológico, valoriza o manejo do solo com técnicas regenerativas e estimula a biodiversidade no campo. Além disso, representa uma alternativa econômica para os produtores, que podem agregar valores aos seus produtos por meio da certificação e da venda direta ao consumidor”.

Kevin Antoni Grasselli, 5° período, disse que “no geral foi uma grande oportunidade de aprender técnicas utilizadas nas atividades orgânicas, diferente das convencionais as quais estamos acostumados, acompanhando de primeira mão as práticas orgânicas sendo realizadas. Dona Diomira, foi responsável por nos passar esse conhecimento, vivenciando, praticando e estudando, sendo uma excelente profissional, mesmo de forma simples. Ao final do dia, após as práticas e conversas trocadas, foi com certeza possível entender mais e melhor sobre essas leis que regem o meio orgânico. E por fim tenho só que agradecer aoportunidade, foi muito divertido, e gratificante poder desfrutar dos alimentos oferecidos, muito obrigado”.

Para 
Bruno Algacir Kroth, 5º período, também acadêmico do curso de Agronomia, “A visita técnica foi de suma importância para adquirir conhecimento fora da sala de aula, pois muitas vezes, fica tudo muito teórico, e essas atividades práticas trazem outras percepções desse ramo da agronomia. Dona Diomira é uma mulher muito batalhadora, um exemplo a ser seguido, mas infelizmente a agricultura orgânica traz várias dificuldades ao agricultor”.

Diomira ainda pontuou sobre a mão de obra em sua horta: “hoje o meu maior problema é a mão de obra, tenho ideias para pôr em prática, vontade não me falta, mas infelizmente é muito difícil implementar trabalhando sozinha, meu filho não mora mais em casa, e meu marido trabalha fora, eu além de cuidar da produção, sou dona de casa, não consigo dar conta de tudo sozinha”.

Segundo a agricultora, "hoje são muitas as dificuldades que encontramos para produzir, busco conhecimento por conta própria por não ter assistência técnica especializada para agricultura orgânica, temos pouco incentivo de nossos governantes. Precisamos ter infraestrutura para produzir da melhor forma, mas nem sempre é possível, principalmente pelo preço de sementes e insumos, por ser tudo orgânico."

Percebe-se que a agricultura orgânica hoje, passa por muitas dificuldades, mas pode-se ver que tende a crescer cada vez mais, e esse momento de extensão faz com que possamos enxergar além do cultivo tradicional de soja e milho, conhecer novas oportunidades e adquirir conhecimento que pode ser aplicado futuramente!

No final da tarde os alunos se despediram da produtora com promessas de que retornarão para outras visitas e para mais troca de experiências, pois uma pessoa tão experiente no ramo sempre deve ser valorizada e vista pela sociedade. Os alunos tiveram essa oportunidade incrível que agregaram em suas carreiras como engenheiros agrônomos para entender que a Natureza é Vida.

A agricultura orgânica é muito mais do que não usar veneno, é uma forma de cuidar da terra, das pessoas e do futuro. Ela mostra que é possível produzir alimentos de qualidade respeitando o meio ambiente e os ciclos naturais. Nós aprendemos que podemos ter produtividade sem agredir o solo, valorizando quem planta e quem consome. Investir nesse tipo de cultivo é acreditar numa agricultura mais humana, mais consciente e que pensa no amanhã. No fim das contas, é sobre fazer a diferença, começando pelo que vai à nossa mesa.

Abaixo, imagens capturadas pelos acadêmicos no dia da visita à Horta Natureza e Vida:

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