Home
/
Blog da UTFPR
/
Conheça os NAPI: um ecossistema de inovação no Paraná

Conheça os NAPI: um ecossistema de inovação no Paraná

Os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPI) é uma rede que fomenta a produção de conhecimento com o objetivo de criar soluções sustentáveis às necessidades regionais no Paraná
Editora da UTFPR lançou em 2026 uma obra dedicada aos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação do Paraná

A pesquisa e a produção acadêmica são ações universitárias que podem impactar positivamente em diversos aspectos da sociedade. Porém não é sempre que essas iniciativas conseguem apoio para realizar suas atividades da melhor forma possível e manterem-se ativas. Por isso, projetos como os NAPI, que se utilizam do financiamento de forma eficiente e transparente, são importantes para demonstrar que o investimento em pesquisa e inovação tem um retorno significativo para o desenvolvimento socioeconômico das regiões.

O que são os NAPI?

Os NAPI configuram uma nova forma de viabilizar a pesquisa voltada à inovação e à geração de valor público através das atividades universitárias. Eles têm caráter coletivo e se baseiam no conceito da hélice quádrupla, que entende a governança compartilhada entre múltiplos atores da esfera pública (universidades, empresas, órgãos públicos, organizações da sociedade civil e comunidades locais) como um fator fundamental a ser considerado para a criação de soluções sustentáveis para problemas concretos. A partir da interação desses agentes da esfera pública é que se dá a inovação.

Os novos arranjos são formados principalmente por pesquisadores e estudantes do ensino superior, mas também podem contar com profissionais do setor produtivo e representantes da sociedade civil. Dessa forma, os NAPI promovem a produção de conhecimento e inovação de forma colaborativa e orientada às necessidades regionais ou estaduais, facilitando a conexão entre pesquisadores, empresas e comunidades da região paranaense.

O projeto também contribui para a facilitação das pesquisas no Paraná através de maior flexibilidade em relação às burocracias de processos como o financiamento dessas atividades. Um exemplo disso é o fato de que, desde que esteja vinculado a uma instituição voltada à ciência e tecnologia, qualquer grupo de pesquisadores pode propor a criação de um NAPI junto às secretarias de Estado ou outras instituições delegadas por estes órgãos públicos. Sendo assim, a criação desse ecossistema permite uma interação mais fluída no processo de construção e produção de ideias inovadoras para lidar com desafios reais das regiões onde atuam. Então, como um instrumento estratégico de transformação com um sistema organizacional muito bem estruturado, o projeto também apresenta potencial de institucionalização e replicação. Desta forma, os NAPI se caracterizam como uma política pública com papel essencial na expansão e consolidação do sistema paranaense de ciência, tecnologia e inovação.

Pesquisa e Inovação

Muitos entendem a pesquisa e a inovação como sinônimos, porém ambas as ideias são processos diferentes e indispensáveis para chegar a soluções sustentáveis para problemas reais. O correto seria entender a pesquisa como base para a inovação, pois ela é uma maneira de construir o conhecimento por meio do aprofundamento acadêmico em um tema específico. Já a inovação propriamente dita se utiliza desse conhecimento para fundamentar as iniciativas e criar soluções realmente aplicáveis. A pesquisa agrega valor à ação que decorre dela e, para que uma hipótese tenha valor em meio a um mar de ideias, ela precisa estar bem ancorada em dados obtidos através do estudo aprofundado da situação.

Mas, se a inovação é o que move a sociedade em direção à solução dos problemas que afetam a realidade, por que ela é tão difícil de ser alcançada?

Para responder a essa questão, Ufuk Akcigit, um professor e economista turco, cunhou o termo “Paradoxo da Inovação”. Por meio de estudos, Ufuk explora hipóteses do porquê as nações, desde as mais ricas até as com menos recursos, têm dificuldade em produzir inovações. O paradoxo nos mostra que, mesmo que seja de conhecimento geral que o investimento em inovação não demanda muito recurso financeiro para gerar ganhos incontáveis para a sociedade, os países em desenvolvimento investem menos no tema que os países desenvolvidos. Pelo fato de as regiões emergentes terem maior tendência a sofrer com crises econômicas, desigualdade social, violência urbana e problemas ambientais, a criação de políticas públicas efetivas que dependem de pesquisas para serem desenvolvidas são substituídas por soluções rápidas e de curto prazo a fim de resolver situações urgentes, ponto aprofundado no artigo “Pesquisa universitária e inovação no Brasil” de Simon Schwartzman.

Porém o desafio de fomentar uma cultura de inovação não cabe apenas aos países em desenvolvimento, mas também às nações com inúmeros recursos, como os Estados Unidos e outras potências econômicas mundiais. Ao analisar o contexto estadunidense, Ufuk observa que, por meio da lógica da lucratividade e competição, as empresas que recebem recursos para inovação, ao atingirem certos objetivos, utilizam desse auxílio para aumentar sua escala de produção e mudam o foco do negócio para a proteção ou expansão do seu posicionamento no mercado. Esse redirecionamento de objetivo leva a ações conservadoras como o uso de patentes (uma forma de tornar o conhecimento algo exclusivo à organização privada) para bloquear a entrada de novos competidores no mercado e através da prática do lobby, na qual o poder econômico empresarial influencia políticas públicas para garantir vantagens de mercado. Sendo assim, a perspectiva competitiva adotada por esses agentes tende a desfavorecer modelos colaborativos de inovação como o adotado pelos NAPI.

Os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação praticam uma lógica de cooperação e priorizam a troca de conhecimentos acadêmicos, laborais e culturais, consequentemente atreladas às necessidades do empresariado e do Estado. Por isso, o projeto se caracteriza como uma política pública inovadora de fomento à pesquisa e inovação que, ao estimular a coprodução de conhecimento, coloca a atividade científica em prol do desenvolvimento sustentável.

Contribuições dos NAPI

Com as ações realizadas na rede colaborativa dos NAPI, o projeto atinge o objetivo de retornar à sociedade os investimentos em pesquisa e os conhecimentos produzidos na universidade pública. Alesandro Bail, presidente da comissão dos NAPI da UTFPR, defende que a contribuição dos NAPI, tanto para as pessoas envolvidas quanto para o estado do Paraná, pode ser sintetizada em três pilares:

  • Promoção da produção colaborativa de conhecimento e inovação orientada às necessidades regionais e estaduais, facilitando a conexão entre pesquisadores, empresas e políticas públicas.
  • Formação de soluções tecnológicas, inovações sociais e avanços científicos em áreas estratégicas como saúde, energia, agricultura e meio ambiente.
  • Fortalecimento do sistema de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) do Paraná, valorizando os ativos regionais e integrando diferentes agentes inovadores nesse processo.

É possível ver esse impacto utilizando o NAPI Abelhas como exemplo. Idealizado e coordenado por Michele Potrich, professora da UTFPR, o NAPI Abelhas foi inaugurado em outubro de 2025 e já movimenta diferentes atividades de pesquisa, ensino, extensão e inovação. Michele destaca que as principais ações realizadas no projeto giram em torno de:

  • Avaliar o risco de diferentes agrotóxicos para abelhas das espécies Apis mellifera e Meliponini (conhecida por não ter ferrão).
  • Caracterizar e analisar a qualidade de produtos apícolas ou meliponícolas (provenientes das abelhas), com foco na certificação e valoração desses produtos.
  • Desenvolver técnicas de aprimoramento genético da abelha da espécie Apis mellifera para aumento e melhoria da produtividade.
  • Analisar e avaliar a diversidade, a ecologia e a conservação de abelhas paranaenses e a sua reação aos impactos humanos sobre o meio ambiente.
  • Fortalecer as métricas do setor tendo em vista o mercado e a gestão de negócios.

Além das contribuições citadas, Michele também conta que existem diversas outras atividades que, mesmo não estando entre os propósitos iniciais da proposta, auxiliam a atingir os objetivos do projeto, como é o caso da geração de produtos inovadores oriundos da produção apícola com potencial de patente.

Esses são os resultados de apenas um dos diferentes NAPI coordenados ou compostos por pesquisadores da UTFPR, o que indica que esse modelo cooperativo de gerar inovação através da pesquisa contribui para o desenvolvimento social, regional e tecnológico.

NAPI na UTFPR

A UTFPR é a instituição de ensino superior com maior participação nos NAPI em parceria com a Fundação Araucária. Atualmente, a universidade tem participação em trinta e um NAPI dos aproximadamente cinquenta existentes e mais de 120 pesquisadores formalmente vinculados. Como a UTFPR é uma instituição pública que possui treze campi distribuídos pelo Paraná, ela é crucial para abrir oportunidades de aprofundamento ao NAPI em diversas áreas e regiões. Por isso, mantém essa intensa colaboração com a Fundação Araucária com objetivo de produzir ações inovadoras para o Paraná.

A capilaridade possibilitada pela UTFPR faz com que a universidade possua uma relação ímpar com a Fundação Araucária. Essa descentralização dos NAPI conduzidos por profissionais da UTFPR favorece a criação de redes de pesquisa que abrangem todo o Paraná. A relação da universidade com os outros agentes que possibilitam essa iniciativa é otimizada pela existência do Núcleo de Gestão dos NAPI da UTFPR, que contribui para a comunicação entre pesquisadores, a Fundação de Apoio à UTFPR (FUNTEF) e a Fundação Araucária. Essa rede se mostra fundamental para o prosseguimento ágil e seguro dos processos burocráticos que possibilitam as atividades do projeto. 

O professor Alesandro Bail afirma que, através de um levantamento de dados realizado pelo comitê, o NAPI Sudoeste tem uma participação expressiva nos resultados do projeto. Os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação do sudoeste é coordenado por pesquisadores dos campi Francisco Beltrão e Pato Branco , tendo cerca de 30 pesquisadores da UTFPR envolvidos especificamente com esse tema. Esse NAPI explora principalmente a área de desenvolvimento tecnológico do setor agrícola, temática essa que é essencial para o estado do Paraná e que é fortemente incentivada pela UTFPR. Dessa forma, o projeto atua em questões estratégicas com potencial de gerar resultados aplicáveis de grande valor público. 

Faça parte da UTFPR!

Os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação são fruto de uma cooperação entre a Fundação Araucária e instituições de ensino superior, sendo a UTFPR a universidade mais colaborativa do Paraná. Caso você se interesse por ambientes sustentáveis de inovação, venha fazer parte da UTFPR! Aqui você terá diversas oportunidades de agir em prol da pesquisa, inovação e o desenvolvimento em múltiplas áreas. No portal institucional você poderá saber mais sobre as ações de empreendedorismo realizadas na instituição. Acesse e fique por dentro das atividades de pesquisa e inovação da UTFPR.

Reportar erro