Home
/
Notícias
/
Curitiba
/
Jussara Marques de Medeiros e o pioneirismo na pesquisa étnico-racial no GTEC da UTFPR

Jussara Marques de Medeiros e o pioneirismo na pesquisa étnico-racial no GTEC da UTFPR

Publicado 7/8/2024, 8:54:48 AM, última modificação 7/8/2024, 8:55:32 AM
Acompanhe o perfil da assistente social da UTFPR e professora, que estuda as motivações para a falta de mulheres, principalmente negras, nas engenharias da instituição.

Jussara Marques de Medeiros

Jussara Marques de Medeiros tem tudo a ver com a Universidade. Formada em Serviço Social, que não era sua primeira opção de curso, se apaixonou pela área durante o estágio que fez ao lado da mãe. Em seguida, veio a docência e, pouco tempo depois, a UTFPR e a pesquisa. Nesta última, Jussara descobriu uma nova paixão, ingressou no Grupo de Gênero e Tecnologia (GTEC) da instituição e iniciou o mestrado em gênero dentro das engenharias. 

A trajetória acadêmica de Jussara na pós-graduação pode ser vista como produto de uma inquietação. Quanto mais tempo passava no GTEC estudando, debatendo e se aprofundando, menos encontrava mulheres pretas ocupando espaços nas engenharias e percebia que  pouco se falava sobre isso. 

Nessa realidade, a assistente social descobriu como fazer do limão, uma limonada: propôs inserir um recorte étnico-racial para os debates sobre gênero que aconteciam no GTEC. E ela foi incrível nisso. Com grande sensibilidade, Jussara conseguiu trazer pioneirismo para dentro do grupo de pesquisa e encontrar a motivação necessária para batalhar pela inclusão.

Sendo mulher negra, a pesquisa que desenvolve é ainda mais significativa. Há uma relevância que somente quem passa por certas vivências consegue imprimir na pesquisa. Isso, contudo, não quer dizer que Jussara transformou seu trabalho em um estudo com interferências pessoais. Pelo contrário, o projeto a lançou no doutorado. 

Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a professora se arriscou na pesquisa comparativa. Trouxe a inspiração do mestrado sobre a dificuldade de encontrar mulheres, principalmente negras, dentro das engenharias da UTFPR e comparou os números com os mesmos cursos na UFPR durante o doutorado. 

A pesquisa é intrigante e me obriga a pedir um pequeno spoiler sobre os resultados obtidos. “Na UTFPR, o público sempre se voltou mais para políticas que são relacionadas à desigualdades de renda do que desigualdade racial, entendendo esta com políticas voltadas para a meritocracia (...) há uma diferença ainda relacionada às mulheres porque temos um histórico de Universidade que começa muito mais tarde em comparação à UFPR”. A conclusão é indigesta. Incômoda. E, para ser honesta, ela precisa ser assim. Isso faz as pessoas se mexerem e as obriga a enfrentarem a realidade e saírem da inércia. 

Para embasar o estudo, Jussara utilizou autoras feministas decoloniais e, apesar da dificuldade inicial em escolher uma escritora que tenha marcado a trajetória acadêmica até o momento, ela comenta “adoro muito a Lélia González e me identifico com o conhecimento a partir da militância”. Não surpreende, afinal, Jussara tenha sido uma das organizadoras de um evento na UTFPR dedicado ao legado de González para a sociedade. 

O encontro foi uma das conquistas que a academia trouxe para a professora e quando pergunto se há alguma vitória que ela guarda com um carinho especial, Jussara demonstra, mais uma vez, sensibilidade. “Muitas, mas principalmente as pessoas maravilhosas que conheci, hoje grandes amigas, tanto no mestrado como no doutorado”. 

Para as meninas e mulheres, principalmente negras, que querem se arriscar na pesquisa, Jussara aconselha: “participem de grupos de pesquisas, ‘metam a cara’ em encontros, simpósios, congressos, tudo que propicia conhecimento e troca de experiências. Eu aprendi muito no CRESS, meu conselho profissional, e até hoje ministro cursos de ética voluntariamente no interior”. Por isso, garotas, sigam em frente. E, mesmo com medo, não parem. 

Texto: Francielle Lacerda, orientada por Aline Nunes











Reportar erro