Rondon

Publicado 9/26/2017, 3:30:23 PM, última modificação 9/29/2017, 3:08:36 PM
Alunos que participaram da Operação Serra do Cachimbo relatam experiência

Oficina de Compostagem

Eles abdicaram dos dias de descanso das férias do meio do ano por uma causa maior: ajudar pessoas que não conheciam em um estado distante: Mato Grosso. O município de Guarantã do Norte recebeu os rondonistas da UTFPR de Francisco Beltrão entre os dias 14 e 30 de julho. Os alunos dos cursos ofertados na universidade e selecionados participaram do projeto Rondon, com o objetivo de contribuir com soluções sustentáveis para a inclusão social e a redução das desigualdades regionais. Na bagagem de volta eles trouxeram uma lição de vida, de doação e da importância da coletividade.

A professora Maici Duarte Leite, que acompanhou o grupo de alunos, juntamente com o professor Gustavo Sato, destaca que foi a primeira experiência de todos em muitas situações. “Muita coisa foi novidade, desde a questão de viajar de avião até apresentar seus conhecimentos em comunidades distantes. Ser rondonista é selar um laço para toda uma vida para que onde estivermos possamos nos reagrupar e executar mais uma missão”, destacou Maici.

O estudante da Engenharia Química Gean Carlos Leandro destaca que “a universidade proporciona essa interação entre as pessoas, unindo docentes, discentes e comunidade. Ingressar na graduação me abriu o horizonte pra novas oportunidades e me fez enxergar que cada um tem o seu papel para com a sociedade, cumprindo o seu papel de cidadão”.

Alunos participantes:

Engenharia Ambiental: Aloma Hancke, Fernanda Barizon e Jessica Maiara Viceli;

Engenharia Química: Alana Caroline Franceiskievicz, Gean Carlos Leandro;

Licenciatura em Informática: Darlan de Barba, Natiele Aparecida Minusculi e Ana Paula Perin.

Acompanhe o relato dos alunos

- O que mais chamou atenção durante o projeto? Pode relatar uma memória de alguma atividade ou percepção de maneira resumida?

Gean: O que mais chamou minha atenção foi o público diversificado das oficinas, gerando constante mudanças no conteúdo programático. A cada dia a maneira de ministrar a oficina mudava, essa inconstância, foi o maior aprendizado técnico do Rondon, pois aprendemos que a prática difere da rotina de sala de aula.

Após o trabalho na fossa séptica, algumas pessoas da comunidade local conversaram comigo e disseram que estavam impressionados, pois achavam que as universidades desempenhavam um papel distante na sociedade e que tinham uma visão equivocada, entretanto, ver os universitários colocando a mão na massa (literalmente), mostrou o contrário. Esse comentário me marcou muito, fico feliz em saber que projetos de extensões como Rondon aproxime a academia da sociedade e potencialize a troca de saberes.

Fernanda: O que mais chama atenção é a recepção da população. Era visível como todos ficavam muito felizes não apenas pelas oficinas, mas muito pela companhia, pela conversa, pela atenção que era a eles oferecida.

Jéssica: As pessoas são muito receptivas. Adoram conversar e relatar suas histórias. Após uma oficina, uma senhora chegou até mim, chorando e agradecendo a nossa presença, me dizendo que o projeto levou alegria e inspiração para aquela comunidade e que nunca seríamos esquecidos. Foi nesse momento que senti que estávamos fazendo realmente a diferença.       

Alana: O que mais chamou minha atenção durante o Projeto foi a disposição da população em participar da troca de conhecimento e experiências, afinal, nós rondonistas também aprendemos muito com a população. A maneira como fomos recebidos em cada uma das escolas e no Campo de Provas Brigadeiro Velloso também foi muito marcante, sempre com muito carinho fazendo-nos sentir em casa.

Aloma: A alegria e o entusiasmo da população das pessoas interessadas em participar das atividades que estávamos oferecendo, bem como a simplicidade e o carisma que transmitiam.

Algo que me marcou muito durante toda a operação foi a participação de um jovem com condições especiais em todas as atividades oferecidas na Escola Municipal e Fundamental Santa Marta. Ele é cadeirante e dispõe de um conhecimento inexplicável, com simplicidade e carisma contagiante. No entanto, no período da tarde se encontrava em uma condição lastimável, pois utiliza fralda, e depende de outras pessoas para sua higiene, e como isso visivelmente não acontecia, ele acabava sendo retirado das oficinas e ficava sozinho em outra sala, pois os demais participantes reclamavam do mal cheiro. Gostaria de ter conversado mais com ele, mas apenas uma tarde em que não ministrei oficina tive o privilégio de conversar com ele, um jovem brilhante, cheio de sonhos e vontades.

Darlan: Durante o desenvolvimentos das atividades as pessoas eram muito acolhedoras, e participativas mostrando muito interesse no que era trabalhado ou elaborado, obtivemos uma troca de conhecimento, compartilhadas entre nos alunos e a comunidade local. 

Ana Paula: O que mais chamou minha atenção foi o interesse do público e os debates realizados durante as oficinas. Com isso, alcançamos o objetivo de passar o nossos conhecimentos, que obtivemos durante os treinamentos, e acabamos enriquecendo-os ainda mais com a troca de experiência com a comunidade. Após a oficina de "Arduino, Robótica e Realidade Virtual: Tecnologia ao seu alcance", os professores vieram conversar sobre a interdisciplinaridade em reação ao uso dessas tecnologias mostrando interesse em fazer uso em sala de aula. O interesse dos professores em fazer um levantamento de softwares educacionais que possam ser utilizados como ferramenta auxiliar no processo de ensino aprendizagem chamou a atenção. Ao apresentar essas tecnologias, despertou novos interesses por parte dos professores.

Natiele: Muitas coisas me marcam no Rondon, no entanto algumas nos chamam mais a atenção, tal como vivenciar a vida diária de alunos que percorrem distâncias enormes para chegarem a escola todos os dias. Guerreiros e persistentes pois tem que encontrar força e disposição para encarar uma jornada de quatro a seis horas diárias em ônibus muitas vezes desconfortáveis. Estudar é uma luta para aquelas crianças.

- A participação no Rondon mudou a sua forma de ver as coisa? Por que?

Fernanda: Com certeza. É uma realidade diferente, que nos desperta para as coisas da nossa vida que realmente importam. A comunidade ganha muito com o projeto, porém quem mais enriquece a alma somos nós rondonista. A bagagem da alma sempre volta muito maior do que foi.

Gean: Sim, conhecer outras realidades, diferentes daquela que se está acostumado é transformador. Aprendemos a valorizar algumas coisas que consideramos tão banais, em nosso cotidiano. E também serviu de estimulo para o restante do período da graduação. Nas escolas de assentamentos encontramos uma realidade, onde as crianças precisam percorrer grandes distancias para chegarem a escola, em estradas precárias e em transporte com condições irregulares, porém mesmo com todas as dificuldades, existem aqueles que não desistem. Sei que essa realidade ocorre em todo o país, mas viver isso de maneira mais intensa reforça a importância de se valorizar a acesso à educação. Viajamos na intenção de promover transformações e os mais transformados somos nós.

Jéssica: Com toda certeza! Durante o projeto nós nos deparamos com várias pessoas e histórias de vida diferente. A nossa sensibilidade de olhar o outro, aumenta. Deixamos de olhar só pra nós mesmos, e enxergamos o próximo. Percebemos que só pelo fato de ouvir e retribuir um sorriso, pode mudar o dia de alguém.           

Alana: O Projeto Rondon mudou minha maneira de ver as coisas por possibilitar conhecer diferentes realidades do nosso país, enfatizando a importância da empatia em nosso dia a dia como cidadãos.

Aloma: Desde o ano passado quando algumas amigas participaram do projeto eu vinha mudando a maneira de ver as coisas a partir dos relatos delas, mas sem dúvida alguma participar efetivamente do projeto transformou completamente a maneira de ver, pensar e agir, pois durante os dias que passei no Rondon pude perceber o quanto a vida é simples quando tratamos tudo com leveza e bom humor.

Darlan: A participação no projeto com certeza deu um novo olhar a essa realidade adversa que temos vividos nos momentos de hoje, conhecer novas realidades podendo perceber o valor que pequenos gestos podem mudar a vida de uma pessoa ou instruí-la para uma mudança que a beneficiará.

Ana Paula: Sim. O fato de conhecermos realidades diferentes nos faz refletir nosso papel como sociedade. Aprendemos novos valores ou até mesmo valorizar as coisas mais simples do nosso cotidiano, mas que são de grande valia. É difícil descrever a transformação e mudanças em nós como resultado dessa troca de experiência.

Natiele: A experiência mudou muitas coisas para mim, a ser mais flexível às mudanças rápidas e não planejadas. Trabalhar mais em grupo e ter mais empatia pelo próximo, ver os outros lados possíveis pois existem vários lados e o da gente não é o único certo.

- Como o seu curso e a participação estavam atrelados? Pode exemplificar?

Fernanda: O projeto Rondon envolve áreas multidisciplinares, por isso é importante que o rondonista esteja apto a atuar em áreas que não são de seu domínio. Porém, dentre as oficinas vinculadas ao meu curso, engenharia ambiental, pode-se citar a proteção de fontes, fossa séptica biodigestora por evapotranspiração, captação de água e reciclagem, que envolvem a temática da educação e proteção ambiental.                       

Gean: Durante o projeto foram ministradas várias oficinas, de diferentes áreas. Através da preparação para a viagem, foi possível aprender mais sobre outras áreas, entretanto, alguns conteúdos do meu curso me facilitaram o aprendizado, como por exemplo a proteção de nascente, que os alunos de engenharia ambiental possuíam um domínio maior, mas algumas informações relacionadas a qualidade do solo e concentração já havia aprendido em meu curso de engenharia química. As oficinas de captação de água e filtro clorador estavam diretamente ligadas ao conteúdo do meu curso, inclusive fazem parte de uma matéria recém cursada. (operações unitárias)

Jéssica: sou acadêmica de engenharia ambiental, sendo que um dos eixos temáticos do conjunto B (o qual 'fazemos' parte) é meio ambiente. Durante o projeto, o grupo pode desenvolver a revitalização de uma nascente e a construção de uma fossa séptica biodigestora por evapotranspiração. Sendo ainda apresentado como fazer a captação da água da chuva com garrafa pet, a importância das matas ciliares...                       

Aloma: Sou acadêmica de Engenharia Ambiental, e um dos temas propostos pelo projeto para o desenvolvimento de atividade é meio ambiente, sendo assim muitos conceitos e práticas que vi na graduação consegui utilizar e contribuir com a comunidade. Dentre as atividades desenvolvidas pelo nosso grupo, foram deixados dois legados importantes para a comunidade que envolvem a temática de meio ambiente, foi uma proteção de nascente para um morador rural, proprietário de uma área contemplada com afloramentos do lençol freático, as populares nascentes ou fontes, onde uma delas era responsável pelo abastecimento de 13 casas, mas que na atualidade abastece apenas 3 famílias, muito provavelmente pela falta de proteção adequada. A outra contribuição deixada para a comunidade foi uma fossa séptica biodigestora por evapotranspiração, pois como relatado por alguns multiplicadores que participaram da oficina, o descarte das aguas negras é realizado de maneira insalubre, principalmente no perímetro rural.

Darlan: O curso de licenciatura em informática pode se adaptar em diversas áreas, pois com o curso e as oficinas trabalhadas no projeto, busca desenvolver situações novas no dia a dia tanto com as novas tecnologias que são estudas como as situações e desafios encontradas na realidade de pessoas simples, através dessas ações conseguimos juntas o que se estuda em sala de aula com as vivencias das pessoas que participaram do projeto.

Ana Paula: Durante o graduação, a pratica em sala de aula e a participação em projetos como  o PIBID por exemplo, contribuíram para o crescimento e transformação pessoal e profissional. Unindo essa experiência aos treinamentos pré Rondon faz com que tenhamos mais certeza de que estamos no caminho certo. Por exemplo, ao realizar a oficina de Montagem e Manutenção, percebemos no olhar da comunidade a satisfação em poder participar e realizar a troca de saberes e dos rondonistas a sensação de ''dever cumprido''.

Natiele: Meu curso é voltado para ensinar a informática, e tudo o que utilizei nas oficinas tem base no meu curso de graduação. A adaptação dos conteúdos aquela realidade foi um desafio que estamos acostumados a questionar e que naquele momento conseguimos colocar em prática. Foi muito bom!

  

Oficina de artesanato com materiais recicláveis

Oficina de reaproveito de alimentos:brigadeiro de casca e bolo de casca de banana

  

Oficina de Informática

Embarque no aeroporto

Notícia de 04/08/2017