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Pesquisador integra grupo de cientistas a usar o maior telescópio do mundo

Pesquisador integra grupo de cientistas a usar o maior telescópio do mundo

Publicado 6/27/2025, 10:51:35 AM, última modificação 6/27/2025, 12:41:23 PM
Felipe Ribas esteve no lançamento do Observatório Vera C. Rubin para apresentar seus estudos

O pesquisador do Campus Curitiba da UTFPR, Felipe Braga Ribas, participou do evento de lançamento das primeiras imagens produzidas pelo Observatório Vera C. Rubin, com um telescópio de 8,4 metros abrigando a maior câmera digital já construída, conectada a um sistema avançado de processamento de dados, instalado no Chile. Felipe Ribas faz parte, há mais de 10 anos, da equipe de cientistas do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA) que reúne pesquisadores brasileiros e internacionais e que utilizarão o telescópio para suas observações.

Foi apresentado no evento que, em pouco mais de 10 horas de observações de teste, o observatório registrou milhões de galáxias, estrelas da Via Láctea e milhares de asteroides. Segundo a equipe responsável pelo evento, essas imagens são uma pequena amostra da missão científica de 10 anos do Rubin, que explorará alguns dos maiores mistérios do Universo.  

Para o professor da UTFPR, as suas pesquisas poderão avançar muito com a utilização deste observatório. “Nosso objetivo é estudar objetos que contenham características ainda da época da formação do sistema solar”, explica Felipe Ribas.

Além do pesquisador, seu trabalho conta com o apoio de alunos do Programa de Pós-Graduação em Física e Astronomia (PPGFA).

Descobertas

O professor também participou de descobertas importantes na área. Em 2023, a equipe constatou a presença de um terceiro asteroide com um anel, desta vez ao redor do Quaoar. Segundo os cientistas, esta descoberta derrubaria uma teoria do século XIX.  

Em 1848, Edouard Roche constatou que existe uma distância para que um corpo se mantenha coeso, sem se desintegrar devido a forças de maré, causada pela atração gravitacional. Ficou conhecido então o “limite de Roche”.

O Quaoar está a uma distância de 41 vezes a da Terra ao Sol, possui mais de 1000 km de diâmetro e é candidato a planeta-anão. Ele está na região além do Planeta Netuno por isto é considerado um objeto Transnetuniano ou TNO (fósseis intactos da formação do Sistema Solar).

Para os pesquisadores, o que torna essa descoberta surpreendente é que o anel do Quaoar está distante cerca de 4.100 km do corpo principal, o que corresponde a cerca de 7,4 raios, ficando além do limite de Roche.

Em 2018, o professor foi homenageado por seus trabalhos, tendo o seu nome dado a um asteroide. O asteroide (10999) Braga-Ribas orbita o Sol entre Marte e Júpiter, no cinturão principal de asteroides, a 2,6 ua (unidades astronômicas, distância média Terra ao Sol) e tem um tamanho estimado de 8 km. Foi descoberto em 1978 no monte Palomar, EUA, por Eleonor F. Helin e Schelte J. Bus. As propriedades do objeto, junto com a justificativa para a homenagem, podem ser encontradas no site do Minor Planet Center, que gerencia estes objetos:

Em 2013, a equipe internacional, então liderada pelo professor da UTFPR Felipe Ribas, descobriu, os primeiros anéis em torno de pequenos corpos, ao redor do asteroide Chariklo. Em 2017, a mesma equipe descobriu que o planeta anão Haumea também possui ao menos um anel.

Observatório Rubin

O  Observatório Rubin recebeu esse nome em homenagem à pioneira astrônoma norte-americana Vera C. Rubin, que forneceu evidências conclusivas da existência de vastas quantidades de matéria invisível - hoje conhecida como matéria escura. Os cientistas definem energia escura como essa força misteriosa e extraordinariamente poderosa que parece fazer com que as galáxias no Universo se afastem umas das outras em aceleração constante. Embora a matéria escura e a energia escura juntas representem 95% do Universo, suas propriedades fundamentais permanecem desconhecidas.

Imagem do telescópio combinando 678 exposições do Rubin em ~7 horas, revelando detalhes como as nebulosas Trífida e da Lagoa (a milhares de anos-luz). (RubinObs/NOIRLab/SLAC/NSF/DOE/AURA).

Além disso, o observatório Vera C. Rubin se consolidará como o instrumento mais eficiente e eficaz já construído para descobertas no Sistema Solar. O observatório capturará cerca de mil imagens do céu do Hemisfério Sul a cada noite, permitindo que mapeie todo o céu meridional visível a cada três ou quatro noites. Com isso, identificará milhões de asteroides, cometas e objetos interestelares nunca antes detectados. O Rubin representará uma revolução na defesa planetária ao localizar significativamente mais asteroides do que qualquer outro sistema, potencialmente identificando aqueles que poderiam colidir com a Terra ou a Lua.

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