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Pesquisadores desenvolvem sérum facial inédito feito com proteína do bicho da seda

Pesquisadores desenvolvem sérum facial inédito feito com proteína do bicho da seda

Publicado 8/25/2025, 4:05:08 PM, última modificação 9/22/2025, 4:19:02 PM
Pesquisadores da UTFPR e da UEL devem lançar o produto no mercado em breve

O professor do departamento de Química do Campus Londrina da UTFPR, Luís Fernando Cabeça, é um dos pesquisadores que integram o estudo realizado no Laboratório de Inovação e de Tecnologia Cosmecêutica (LABITEC) do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e que resultou na elaboração de um sérum facial a partir de uma proteína extraída do casulo do bicho-da-seda, inédito no mercado.

A pesquisa é resultado de uma colaboração entre a UEL, a UTFPR e a empresa Bratac Fiação, que forneceu os bicho-da-seda para a produção.

Na UTFPR, o professor Luís Cabeça realizou a extração da proteína fibroína. Segundo ele, a primeira etapa do processo consiste na remoção da sericina, utilizando solução de carbonato de sódio. Os casulos cortados são imersos nessa solução e aquecidos a 100 °C, etapa em que a sericina e outras proteínas solúveis em meio alcalino quente são eliminadas. Em seguida, as fibras são retiradas da solução, lavadas com água ultrapura em temperatura ambiente e, por fim, mantidas em estufa a 50 °C por 24 horas.

Após a secagem, as fibras são solubilizadas em uma solução ternária salina composta por cloreto de cálcio, água ultrapura e etanol. “As fibras são imersas nessa solução e mantidas a 80 °C por duas horas. Ao final do processo, o material adquiriu aspecto totalmente líquido, levemente viscoso e com coloração amarelada", explica o professor.

Para obter a fibroína pura e livre de sais, a solução é submetida a um processo de diálise. De acordo com os pesquisadores, a etapa completa de extração e purificação leva cerca de quatro dias.

Com esta extração foi possível que os pesquisadores, liderados pela professora Audrey Lonni, desenvolvessem um sérum hidratante. A novidade é justamente o modelo de extração da fibroína que, aliado ao desenvolvimento do sérum, é uma inovação na indústria de cosméticos. Isso fez com que os pesquisadores requeressem a patente do produto juntamente com a UTFPR  e Bratac.

A pesquisa desenvolvida na UTFPR contou com a participação do estudante de Iniciação Científica Matheus Ferreira de Magalhães Bastos, graduando em Química.

Cooperação

Para o professor da UTFPR, a parceria entre as instituições foi fundamental para o avanço científico. “Sempre gosto de destacar a importância do trabalho de cada pesquisador em sua área de especialidade. Eu não atuo diretamente na área de cosméticos, mas pude contribuir na parte química. Quando cada profissional aplica seu conhecimento específico, aliado ao apoio da iniciativa privada, o resultado é um produto que pode chegar à comunidade e gerar valor”, destaca o pesquisador.

As testagens do sérum demonstraram que o produto é seguro, estável e eficaz, com propriedades hidratantes e antioxidantes, textura leve e o diferencial da inclusão da fibroína da seda, um ativo biocompatível, biodegradável e valorizado pelo mercado dermocosmético.

A parceria e os resultados, em breve, também resultarão na comercialização do produto. O sérum já foi testado em humanos que relataram melhorias após a utilização do produto. Agora uma nova testagem será feita em laboratório certificado para obter o registro do produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Além do professor Cabeça e da professora Audrey Lonni, que é Departamento de Ciências Farmacêuticas, coordenadora do Laboratório de Tecnologia Cosmecêutica da UEL, também participaram da pesquisa: as professoras da UEL, Renata da Rosa, Maria Antonia Celligoi e Cristianne Cordeiro Nascimento.

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