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Biologia Celebra

Biologia Celebra

Publicado 12/7/2022, 11:21:41 AM, última modificação 12/7/2022, 11:35:24 AM
Evento com a presença de nomes importantes no cenário cientifico e o lançamento do concurso de logomarca do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas marcaram as comemoração da nota máxima obtida na ocasião do reconhecimento do MEC.

A presença de nomes importantes no cenário científico marcou o evento de “Celebração pela nota máxima na avaliação do MEC!”  realizado na terça-feira (06) de dezembro, no Centro de Convivências da UTFPR Campus Ponta Grossa. Organizado pela Coordenação do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, em parceria com o Cento Acadêmico do Curso (CABIO), esse momento teve como objetivo celebrar a nota máxima obtida na ocasião do reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação (MEC). 

As atividades tiveram início durante a tarde com a realização de uma roda de conversa às 15h, com o tema Formação Docente e Ensino de Ciências Biológicas, com mediação do Prof. Danislei Bertoni. Foi um momento de troca de experiências entre profissionais da área e os acadêmicos. A Prof. Cristiane Lima, destaca a importância desse interação com os alunos e explica é uma oportunidade de apresentar a realidade do mercado de trabalho, trazendo as dificuldades e desafios que serão enfrentados em sala de aula e as diferenças quanto ao que é estudado e pensado na universidade e a realidade da atuação profissional. 

A abertura oficial do evento foi realizada pelo Diretor-Geral do Campus Ponta Grossa, Abel Dionizio Azeredo, que conversou com os estudantes parabenizando o curso pela obtenção da nota máxima obtida na avaliação do MEC. O Coordenador do Curso, Igor de Paiva Affonso, também falou aos alunos, destacando o orgulho com o reconhecimento do Ministério da Educação e pontuando alguns conselhos para vida academica e profissional dos acadêmicos. 

O evento teve sequência com a presença do Biólogo, curador do Museu do Capão da Imbuia e presidente do Conselho Regional de Biologia do Estado do Paraná (CRBio-PR), Dr. Vinícius Abilhoa, que falou sobre Profissão biólogo: legislação e exercício profissional. Na sequência, foi a vez do Biólogo, especialista em fauna amazônica, divulgador científico e a apresentador do National Geographic, Dr. Rafael “Rato” de Fraga, que fez uma palestra com o tema “Usando a internet e a TV para limpar a barra dos répteis”. 

O encerramento do evento foi marcado pelo lançamento do concurso que irá eleger a logomarca do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas. 

Atividade profissional

O presidente do CRBio-PR, Dr. Vinícius Abilhoa,  trouxe aspectos relevantes sobre a profissão de biólogo, destacando aspectos como legislação e exercício profissional. Para o palestrante tratar esse tema com os acadêmicos do curso é uma conversa necessária, porque a profissão de biólogo é regulamenta e conta com um arcabouço legal, que determina como esse profissional vai atuar e que precisa ser conhecido por aqueles que futuramente vão exercer essa profissão. 

Durante sua fala Abilhoa destacou a Lei n.º 6.684 que regulamentou a Profissão de biólogo, sancionada em 3 de setembro de 1979, data em que é comemorado o dia do biólogo. O palestrante abordou também as áreas de atuação e instâncias normativas da atuação profissional, apresentando as resoluções que explicam o tipo de atuação permitida no mercado de trabalho. O biólogo também tratou do que chama de sombreamento das áreas de atuação profissional, destacando que existem atividades que podem ser exercida pelos profissionais formados em biologia, bem como por profissionais de outras áreas, explicando que isso exige, em alguns casos, uma formação complementar por parte dos biólogos. 

O palestrante falou também da importância da atuação do Conselho Regional de Biologia do Estado do Paraná, destacando a atuação do órgão na defesa da profissão. “A função do conselho não é proteger o profissional, mas proteger a sociedade do mal profissional, essa é nossa função legal. Mas é claro, que defendemos a profissão. Fazendo isso, nós protegemos a formação do profissional também, de forma indireta”, comenta.  Abilhoa explica que a maioria dos conselhos atua por região e diz que no Brasil, existem 9 entidades representativas como essa, destacando que o número de estados na federação é bem maior, enfatiza o fato de no Paraná o órgão atuar apenas no estado, sendo o primeiro no país com esse formato e contando com três mil profissionais registrados. 

Traduzindo a ciência 

Especialista em fauna amazônica, divulgador científico e apresentador do National Geographic, Dr. Rafael “Rato” de Fraga diz perceber a televisão e a internet como ferramentas poderosíssimas para a divulgação da ciência, onde é possível traduzir os conteúdos científicos para que cheguem a todos os ambientes. Ele comenta que todo cientista deveria se questionar se a ciência que produz está chegando às periferias, nas favelas, nas aldeias indígenas, nas comunidades ribeirinhas e afirma, que se a resposta for negativa, algo está errado. “Eu sou um cientista da biodiversidade, mas, em algum momento da minha carreira, eu percebi que produzindo ciência sem me comunicar com as pessoas de fora da academica, não estou cumprindo a minha obrigação, que é de levar ciência para um público mais amplo e diversificado possível. No fim das contas, nós cientistas estamos nos comunicando somente com os nossos pares, nos estamos produzindo ciência para outros cientistas,” afirma. 

Fraga atua como herpetólogo, ou seja, com o estudo de anfíbios e repteis. Ele conta que por esse motivo tem um desafio ainda maior ao buscar uma comunicação mais ampla com a sociedade, pois ele precisa convencer as pessoas de que esses animais também são importantes para a natureza. Sapos, cobras, lagartos e jacarés são animais que causam reações negativas nas pessoas, principalmente, medo e nojo. O cientista destaca que seu trabalho busca desconstruir essa tendência encontrando a origem dos sentimentos que esses animais causam na maioria das pessoas e com informação. Ele conta que, menos de 20% das espécies de cobras que ocorrem no Brasil são peçonhentas, 80% é totalmente inofensiva. Fraga lembra que essa informação vai de encontro ao censo comum, pois as pessoas acreditarem que a maioria das espécies tem o potencial de matar uma pessoa, mas isso não é verdade. 

Outra estratégia utilizada pelo cientista é utilizar a internet e a televisão para apresentar os anfíbios e repteis como parte do ecossistema e que por isso contribuem para o seu funcionamento.  “Eu trabalho com ciência da biodiversidade, o que eu tento mostrar para as pessoas é que nós humanos somos parte dos ecossistemas e não donos deles. Tudo que a gente faz para o planeta vai ter uma resposta negativa, as mudanças climáticas, por exemplo, entraram em um estágio irreversível,” avalia. 

Mostrando preocupação com o futuro do planeta o cientista faz um alerta “Parece meio trágico, mas a gente pode pensar que nosso modo de vida predominante é quase um suicídio coletivo, porque não é sustentável. Então, quando eu levo para as pessoas um pouco dessa ciência da biodiversidade, eu uso a ciência, eu uso as cobras como modelo para mostrar para as pessoas a importância de preservar as florestas, os ecossistemas nativos, ou pelo menos compensar ou minimizar os impactos da nossa existência nesse planeta.”