Estudantes do Mestrado em Letras vivenciam trocas culturais em visita à Escola Indígena Vera Tupã

Estudantes do Mestrado em Letras do Campus Pato Branco da UTFPR, visitaram, na tarde de 25 de novembro, a Escola Indígena Vera Tupã, localizada na área indígena Palmeirinha do Iguaçu, em Chopinzinho - Paraná. A atividade marcou o encerramento da disciplina de Discurso, Cultura e Ideologia, ministrada pela professora Márcia Andrea dos Santos, do Departamento Acadêmico de Letras (DALET), com produção acadêmica na área de práticas educativas em comunidades indígenas e integrante do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI).
"Foi uma experiência bastante rica, tanto para eles, alunos do programa, quanto para a escola. Visitas como essa são importantes trocas culturais e permitem aos alunos conhecerem como é que funciona o ambiente escolar, o currículo, a atividade dos professores, as dificuldades e os desafios de outras realidades”, afirmou a professora.
A equipe da escola recebeu a turma e apresentou o trabalho pedagógico e aspectos da cultura indígena local. A diretora da escola, Solange Gabriel, mediou a visita e compartilhou experiências pessoais como educadora, cidadã e mulher indígena, relacionando a teoria discutida na disciplina com a realidade.
No começo da tarde, os mestrandos aprenderam sobre a história da reserva Indígena Palmeirinha do Iguaçu, marcada historicamente por embates políticos e resistência indígena em busca de seus direitos. Após esse momento, a turma conheceu o espaço da escola, visitando as salas de aula, biblioteca, laboratórios e espaços de convivência. A partir disso, interagiram com alunos e professores, o que permitiu trocas de experiência e conhecimento de outros pontos de vista.
“Ter contato real com a cultura indígena foi uma experiência enriquecedora e rendeu boas conversas entre a turma. Ela também nos trouxe uma nova perspectiva sobre possibilidade de pesquisa e aplicação das teorias que discutimos ao longo do semestre, consolidado o conhecimento com uma experiência memorável”, disse Rafael Garcia, aluno externo da disciplina e graduando de Letras na UTFPR-PB.
Ao final do encontro, o grupo realizou a entrega de livros teóricos e literários para uso de professores e alunos, consolidando a parceria com a instituição. Esta ação reforça a tradição da disciplina e os esforços da professora em promover o intercâmbio cultural e aproximar pesquisa, ensino e extensão entre a universidade e as diversas comunidades locais.
Histórico de visitas em Letras
As ações que conectam o curso de Letras da UTFPR Campus Pato Branco a diferentes comunidades começaram ainda nas turmas da graduação. Segundo a professora Márcia Andrea dos Santos, antes do mestrado existir ela já levava seus alunos para visitar escolas do campo, escolas indígenas, quilombolas e assentamentos de reforma agrária, sempre com foco na diversidade linguística e sociocultural. Essas atividades ocorriam há vários anos e faziam parte de sua prática docente.
As atividades tiveram início em 2013, quando as professoras do curso de Letras da UTFPR Márcia Andrea dos Santos, Maria Ieda de Almeida Muniz e Maria de Lourdes Bernartt, receberam estudantes de Angola e Moçambique pelo programa PIFIC — uma cooperação entre Brasil e Angola voltada à iniciação científica. Os visitantes passaram cerca de 20 dias na universidade, estudando teoria e aprendendo práticas de pesquisa.
Durante a estadia, realizaram uma ação na Escola Quilombola Maria Joana Ferreira, localizada em Palmas, onde apresentaram a história da África, além de conteúdos culturais, linguísticos e históricos de Angola e Moçambique. A escola demonstrou grande interesse em ouvir o sotaque dos estudantes africanos e conhecer aspectos culturais como alimentação, danças, língua e vivências cotidianas.
Com o início do Mestrado em Letras, em 2015, as visitas passaram também a integrar anualmente a formação das turmas da pós-graduação. Na disciplina Educação Linguística para a Multiculturalidade, Andrea organizava saídas anuais para escolas indígenas, quilombolas e de assentamentos do MST, visitando duas escolas ao final da disciplina. A dinâmica começava em sala de aula, com estudo teórico, e seguia com a criação de atividades que os mestrandos preparavam para levar às comunidades — ações de interação com crianças, professores e equipes escolares.
Além das atividades preparadas, os estudantes realizavam entrevistas e observavam o funcionamento das escolas, seus currículos, práticas docentes, desafios e necessidades. Segundo a professora, as escolas apreciavam receber novas atividades e discussões, e os estudantes destacavam o aprendizado proporcionado pelo contato direto com outras realidades socioculturais.
Ao longo de mais de uma década, a iniciativa se consolidou como uma ação permanente de formação. O projeto amplia repertórios, aproxima a universidade das comunidades e reforça o compromisso da UTFPR com a educação e formação integral de seus estudantes.
