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Empreendedorismo: o que é preciso saber para começar?

Empreendedorismo: o que é preciso saber para começar?

O Brasil conta com mais de 24 milhões de empresas e esse número só tende a crescer. Neste contexto, é importante reconhecer as oportunidades e desenvolver uma cultura empreendedora.

Atualmente, o mercado é competitivo e dinâmico, sendo composto por diversas formas de trabalho. Independente da modalidade de emprego, o autogerenciamento da vida profissional e a força de vontade são características muito valorizadas. Muito se fala sobre a necessidade de pessoas com postura empreendedora nas organizações e alguns defendem que no futuro todos serão empreendedores.

O emprego e o empreendedorismo são conceitos diferentes e, por mais que sejam comumente atrelados, é necessário entender suas devidas particularidades. Enquanto ser empregado gera maior segurança e estabilidade em troca da subordinação dentro de uma estrutura hierárquica, empreender garante autonomia e maior potencial de lucro sobre o próprio trabalho. Porém oferece mais riscos financeiros.

Para ter mais confiança em suas escolhas profissionais, é necessário compreender melhor o que é o empreendedorismo e as condições para empreender nos dias de hoje.

Empreendedorismo no Brasil

De acordo com Rejane Cioli, assessora de Empreendedorismo e Inovação da UTFPR, empreendedorismo é o que possibilita o "ato de empreender", caracterizado por ações voltadas à capacidade de inovar, promover melhorias e transformar a realidade. O ato de empreender não se restringe apenas ao ambiente empresarial, mas é válido para qualquer contexto em que o indivíduo esteja inserido. Para Rejane, “empreendedorismo é identificar e aproveitar oportunidades”.

As pessoas que optam por serem empregadas preferem uma estrutura e responsabilidades bem definidas, enquanto empreendedores buscam analisar e construir toda infraestrutura do negócio e consideram as capacidades de cada empregado em contribuir para o crescimento da organização. Com isso, aqueles que buscam empreender devem estar atentos ao que é necessário para manterem seus negócios lucrativos e estáveis.

As empresas que conseguem manter suas atividades por ao menos três anos e meio são consideradas empreendimentos estabelecidos e, por mais que essa seja uma tarefa desafiadora, o cenário brasileiro se mostra positivo para essa condição. Dados retirados da pesquisa mais recente da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) — que faz uma comparação sobre a situação do empreendedorismo no Brasil entre os anos de 2023 e 2024 — mostram que, no ranking de países com a maior taxa de empreendedores estabelecidos, o Brasil avançou da oitava para a sexta posição, ficando à frente de países como o Reino Unido e Estados Unidos, por exemplo.

Outros resultados positivos validam essa perspectiva para o país. Além do índice de empreendedores estabelecidos, a taxa de “empreendedorismo total”, que conta também com negócios de até três anos e meio de atividade, cresceu 3,3%. A pesquisa mostra ainda que essa escolha se faz recorrente entre o público jovem (de 18 a 24 anos). De 2012 até hoje, o número de jovens empreendedores no Brasil cresceu aproximadamente 25% e a taxa de empreendimentos estabelecidos entre pessoas nessa faixa etária cresceu 9% de 2023 para 2024.

Tipos de empreendimentos

Estar bem informado é o primeiro passo para tomar decisões com segurança. Por isso é necessário entender as possibilidades de empreender e quais condições condizem com os desejos dos futuros empreendedores. Atualmente, o Brasil possui diferentes categorias de natureza jurídica em que um empreendimento pode se enquadrar, sendo elas:

  • Microempreendedor Individual (MEI): simples e com menos burocracia, essa modalidade tem a finalidade de formalizar atividades autônomas ou pequenos negócios, permitindo faturamento de até R$ 81 mil por ano e apenas um funcionário.
  • Empresário Individual (EI): assim como no caso do MEI, essa categoria permite apenas um titular. Porém o empreendedor não tem limite de contratação e o faturamento varia de R$ 360 mil até R$ 4,8 milhões por ano, a depender do regime tributário escolhido.
  • Sociedade Limitada Unipessoal (SLU): essa modalidade garante que, mesmo sem sócios ou capital social mínimo elevado, o titular terá seus patrimônios pessoal e empresarial separados, o que impede a utilização de bens pessoais para quitar dívidas da empresa e evita problemas com a fiscalização tributária. Para essa categoria não há limite de faturamento e pode-se escolher entre diferentes regimes de tributação.
  • Sociedade Empresária Limitada (LTDA): ideal para negócios com dois ou mais sócios, essa categoria define que a responsabilidade sobre o empreendimento é dividida a partir do recurso financeiro investido, garantindo assim a segurança do patrimônio pessoal dos envolvidos. Para essa modalidade também não há limite de faturamento e pode-se escolher entre diferentes regimes de tributação.
  • Sociedade Anônima (SA): comumente atrelado a grandes empresas, aqui o capital da empresa é dividido em ações e os “sócios” são chamados de acionistas. As ações são frações do capital social (dinheiro total investido) da empresa. Elas podem ser abertas, disponíveis na bolsa de valores, ou fechadas, negociadas em sigilo. Nessa categoria não há limite de funcionários e faturamento, e se exige que haja maior transparência e estabilidade por parte da empresa.
  • Sociedade Simples (SS): O que diferencia essa modalidade da SA é que aqui se trata de uma sociedade de pessoas e não de capital, ou seja, não há ações. Geralmente essa estrutura é voltada à prestação de serviços na área científica, intelectual, literária ou artística. Há dois tipos de SS, a Sociedade Simples Pura, onde o patrimônio pessoal dos sócios não é afetado pelas dívidas da empresa, e a Sociedade Simples Limitada (SS Ltda.), que pode afetar o patrimônio pessoal dos sócios caso a empresa esteja endividada. 

Agora que temos o panorama jurídico nacional em torno do empreendedorismo, devemos considerar os prós e contras, levando em consideração que as motivações para se empreender podem variar entre a vontade, necessidade ou oportunidade.

Empreender com os pés no chão

Assim como qualquer escolha que impacte seu futuro profissional, empreender envolve diversas variáveis que devem ser consideradas cuidadosamente ao se tomar essa decisão. É importante saber, por exemplo, que muitos negócios acabam não atingindo o patamar de empreendimento estabelecido e isso pode gerar contratempos à saúde financeira de quem decidiu por esse modelo de trabalho.

Apesar de vantagens convincentes como uma autonomia que possibilita um controle maior sobre suas escolhas profissionais e maior poder de decisão sobre o trabalho realizado, a vida do empreendedor pode contar com grandes desafios. Com o aumento contínuo da vontade de empreender pelos brasileiros, o cenário do empreendedorismo nacional vêm se renovando e caminhando para um ambiente mais plural. Jovens, mulheres, negros e pessoas de diferentes contextos socioeconômicos estão cada vez mais inclinados a iniciar um empreendimento, sonhando com o sucesso econômico e correndo os riscos dessa decisão. Dados apontam para um cenário nacional mais representativo onde o público feminino responde por 54,6% do empreendedorismo potencial (pessoas que não empreendem, mas desejam isso para o futuro) e tende para uma maioria de empreendedores e empreendedoras jovens, com até 34 anos, predominantemente entre pessoas pretas e pardas. Porém, mesmo que a pesquisa GEM de 2024 mostre que pessoas de grupos minoritários vêm crescendo entre os empreendedores, isso não garante que elas alcancem o objetivo de se estabelecer no mercado.

A possibilidade de atingir uma porcentagem maior de retorno financeiro pela força de trabalho atrai muitas pessoas ao empreendedorismo, mas conquistar a segurança financeira é uma tarefa árdua e são altas as chances de empreendedores iniciais e informais obterem uma renda média menor do que aqueles formalizados (com CNPJ).

Isso se dá porque muitos dos empreendimentos iniciais são movidos pela falta de outras possibilidades de renda. O ato de empreender por necessidade é chamado de empreendimento de subsistência, ou seja, que tem como objetivo principal possibilitar o sustento de condições básicas e fundamentais para a existência do empreendedor. O aumento do ingresso de alguns grupos “mais vulneráveis” na atividade empreendedora, como pessoas idosas, com pouco nível de escolaridade e baixa renda, mostra que essa decisão pode vir de uma posição social onde faltam alternativas.

Para contrapor essa realidade, o governo brasileiro financia ações que buscam auxiliar o empreendedor a prosperar, diminuindo assim a disparidade socioeconômica entre as pessoas empreendedoras. Alguns exemplos dessas ações são os programas Acredita no Primeiro Passo, Desenrola Pequenos Negócios e a Lei Geral das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte.

  • Programa Acredita no Primeiro Passo: oferece microcrédito com condições facilitadas de pagamento e um acompanhamento técnico para o negócio, buscando financiar investimentos e capital de giro principalmente para pessoas físicas e MEIs que estão começando ou em situação de vulnerabilidade.
  • Programa Desenrola Pequenos Negócios: ação focada em renegociar dívidas de MEIs, Microempresas e Empresas de Pequeno Porte em atraso.
  • Lei Geral das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte: busca simplificar processos burocráticos e reduzir a carga tributária dos empreendedores dessa categoria por meio de um regime simplificado de arrecadar, cobrar e fiscalizar a tributação desses negócios.

Esses são apenas alguns exemplos de iniciativas governamentais voltadas ao empreendedor. Porém existem diversas outras ações que visam dar segurança e meios de o trabalhador estabelecer seu negócio e lucrar além do necessário para a subsistência. Para mais informações sobre o tema, procure fontes confiáveis, como a página de empresas e negócios do Governo Federal.

Empreendedorismo fora das empresas

O empreendedorismo tradicional é motivado principalmente pelo crescimento financeiro da empresa, expansão de espaço no mercado e geração de lucro. Por isso tende a considerar os fatores socioambientais como secundários em relação aos objetivos da empresa. Porém existem cenários onde o ato de empreender se justifica através da busca pela resolução de problemas sociais, ambientais e econômicos, priorizando a urgência da sociedade em torno de um objetivo concreto. Esse modo de pensar e agir é chamado de empreendedorismo social e as atividades com esse objetivo se utilizam de uma abordagem empresarial para tratar das questões sociais prioritárias.

O empreendedorismo social geralmente está presente em instituições sem fins lucrativos, setores governamentais, cooperativas e em universidades. A UTFPR, por exemplo, é uma universidade comprometida com o empreendedorismo, onde são realizadas atividades que estimulam o ato de empreender a fim de suprir necessidades sociais. Essas ações acontecem em ambientes destinados à promoção do empreendedorismo e inovação, como as sprinTs (pré-incubadoras e incubadoras de empresas), Parques Científicos e Tecnológicos (PCTs), Empresas Juniores e centros de inovação.

O apoio ao pensamento empreendedor e a articulação desses ambientes de inovação estão diretamente ligados ao Programa de Empreendedorismo e Inovação (PROEM) da UTFPR, que objetiva fomentar a cultura empreendedora no ambiente interno e externo à universidade e a geração de novos negócios de base tecnológica em todos os 13 campi da instituição. Essa mentalidade está alinhada com a cultura da universidade, que em muitas oportunidades firmou acordos com instituições como o SEBRAE a fim de criar ações que promovam a geração de novos negócios com impacto social, econômico e tecnológico.

A visão favorável da instituição ao redor do tema também se reflete nas matrizes curriculares dos cursos, que garantem o acesso aos conhecimentos de empreendedorismo a todos os estudantes, principalmente através da disciplina de Fundamentos de Empreendedorismo, podendo ser obrigatória ou optativa no currículo estudantil.

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As iniciativas que impulsionam o empreendedorismo na universidade são imprescindíveis para uma formação profissional voltada ao futuro, pois ambientes que possibilitam o acesso a esses conhecimentos preparam o aluno à realidade do mercado. Ou seja, se você é um participante da comunidade acadêmica e se interessa pelo tema, atente-se às ações universitárias que favorecem a criação de pontes entre alunos e egressos que empreendem, ações educativas que simulem soluções para problemas reais do mercado e o trabalho em prol da inovação.

A assessora Rejane Cioli incentiva que os alunos da UTFPR que desejem desenvolver suas habilidades empreendedoras se matriculem nas disciplinas de inovação e gestão ofertadas pelos diversos cursos da universidade, participem de programas de estímulo ao empreendedorismo, inscrevam-se em processos de seleção para ingressar nas sprinTs, frequentem os diversos eventos relacionados ao tema (como hackathons e palestras) ou usufruam de qualquer outro ambiente de empreendedorismo e inovação da instituição.

Venha para a UTFPR!

A UTFPR é uma universidade pública, gratuita e de qualidade, comprometida com o desenvolvimento das habilidades empreendedoras de seus alunos e o incentivo à inovação. Se você se identifica com esses valores e quer somar forças a fim de transformar sua realidade, venha fazer parte dessa comunidade!

No portal institucional você poderá saber mais sobre as ações de empreendedorismo realizadas na instituição. Acesse e fique por dentro das novidades, editais e processos seletivos.

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